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22 novembro 2006

Orçamento Participativo

Resultados apresentados em Sessão Pública

No passado dia 17 de Novembro, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel apresentou os resultados da experiência de Orçamento Participativo para 2007, numa sessão pública que teve lugar no Cine-Teatro São Brás.

O edil são-brasense, Eng.º António Eusébio, apresentou muito sucintamente o balanço deste primeiro Orçamento Participativo no município:

Em 5 Sessões Públicas realizadas, foram apresentadas 46 propostas de acções e obras a realizar pelo município. A par das sessões, um questionário foi outra das formas de participação disponibilizadas para que os munícipes pudessem indicar as as suas propostas. No total, foram preenchidos 98 questionários e apresentadas 65 propostas e sugestões.

Na globalidade , foram apresentadas 111 propostas: 71 (64%) foram aprovadas, enquanto que as outras 40 (36%) estão sob análise para futuros investimentos. Das propostas aprovadas, 04,2% foram de imediato resolvidas, 15% correspondem a serviços a executar pelos serviços municipais, 32% já se encontravam incluídas na proposta de investimentos e 42% foram integradas na Proposta Final de investimentos.
Feito o balanço, entendido como muito positivo pelo autarca, António Eusébio, apresentou a Proposta Final de Investimentos, agora enriquecida com os contributos de muitos são-brasenses.

A Proposta de Orçamento Municipal de São Brás de Alportel para 2007 apresenta um valor global de 13.412.861 euros. Constituem áreas prioritárias de investimento:

a Solidariedade, com um valor de 138.100 euros, o Desporto, que ascende a 3.035.500 euros, a Cultura e Património, com 801.150 euros, o Ordenamento e a Renovação Urbana, bem como as Vias de Comunicação e os Transportes, com 388.320 euros e 430.320euros, respectivamente; e ainda, o Ambiente e os Espaços Verdes, com 518.110 euros, o Abastecimento de Água e Saneamento, com 264.200 euros e o Desenvolvimento Económico, no valor de 139.765 euros.
A construção das Piscinas Cobertas Municipais, a continuação da Circular Norte, com a construção da 2ª fase, a execução da I Fase do Plano de Pormenor do Terminal Rodoviário, com a reabilitação da entrada Sul (desde a Circular até ao Largo de S. Sebastião), a requalificação e infraestruturação do Parque, junto à futura Casa das Artes (edifício do antigo Lagar de Azeite), para parque de estacionamento e zona de mercados e Feiras, a conclusão do Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha, a execução da 2ª fase do projecto do Centro de Artes e Ofícios, a 3ª fase da Obra de Requalificação e Pavimentação do Centro Histórico e o arranque do Plano de Alargamento do Saneamento a todo concelho constituem as principais apostas de 2007.

Acrescente-se ainda um conjunto de projectos: nas áreas da valorização dos espaços públicos do concelho, e do desenvolvimento turístico, assim como as obras de pavimentações de caminhos, num valor que ultrapassa os 110.000 euros, num concelho que aposta na qualidade da sua rede viária.

Continua a assumir grande importância neste orçamento o investimento, ao nível da Prevenção de Fogos Florestais e os trabalhos, que ascende aos 160.000 euros, e um conjunto de investimentos necessários à abertura de novos espaços e serviços, como o Centro de Educação e Interpretação Ambiental, a Casa da Juventude – Espaço Internet, o Centro Museológico do Alportel e o Centro de Apoio do Parque da Fonte Férrea.

“O Orçamento Participativo possibilitou uma maior proximidade com os munícipes, durante um processo de enorme importância para o futuro do município. Esperemos que nos próximos anos, registemos cada vez mais participação, porque com a colaboração de todos, poderemos planear melhor, decidir melhor e seguramente construir um futuro melhor para São Brás de Alportel”, afirma o Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel.

Um Orçamento Participativo é um instrumento de democracia participativa. Trata-se de uma nova forma de governação, gestão e planeamento dos territórios, que tem por base a participação activa dos cidadãos. Através desta experiência de gestão pública participada, o município pretendeu aproximar eleitos e eleitores e promover a participação activa dos munícipes nos processos de planeamento e gestão municipal.

Em São Brás de Alportel, a experiência de Orçamento Participativo foi implementada, através de um amplo processo de consulta e participação dos cidadãos, sobre a afectação de investimentos públicos para o concelho, nomeadamente: equipamentos públicos, infra-estruturas, obras e projectos, nas diversas áreas da sua competência, numa experiência integrada no Projecto “São Brás Solidário” – no âmbito da Iniciativa Comunitária EQUAL – que está a ser desenvolvido no concelho, por uma parceria constituída pela Câmara Municipal, Associação IN LOCO, Associação de Industriais e Exportadores de Cortiça, Bombeiros Voluntários de S. Brás e Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar.

GABINETE IMAGEM CAMARA MUNICIPAL S. BRAS DE ALPORTEL

16 abril 2008

Orçamento Participativo (OP) é caso de sucesso em São Brás



O Município de São Brás de Alportel foi o primeiro no Algarve a implementar o Orçamento Participativo (OP), uma experiência que se tem revelado positiva.


A elaboração do Orçamento para 2007 foi a primeira a contar com a participação dos munícipes sambrasenses, uma experiência que se repetiu no orçamento de 2008 e, ao que tudo indica, voltará a ser aplicada no de 2009.



“Mais perto da população conseguimos decidir melhor”, afirmou António Eusébio, presidente do Município de São Brás de Alportel, durante a formação regional sobre Orçamento Participativo (OP), hoje, em Faro, a primeira de um conjunto de quatro acções no país (ver aqui).


Com um Orçamento global de 14 milhões e meio de euros, São Brás de Alportel leva a discussão no OP a verba correspondente a despesas de capital, ou seja, a parte correspondente ao investimento do município.


“Os 14 milhões e meio de euros que temos no orçamento também incluem lá, não só as receitas próprias do município, mas toda a capitalização de obras financiadas com fundos comunitários ou com candidaturas que nos podem trazer dinheiro. Efectivamente, nós só temos à volta de 7 milhões e meio de euros, o resto é capitalização”, explica o autarca.


O que significa que em Outubro/Novembro, quando é iniciada a discussão do Orçamento, ainda não há certeza se os fundos comunitários vão ser atribuídos ou não.


Como funciona o OP?


O processo do OP faz parte do projecto São Brás Solidário e apenas tem carácter consultivo, as propostas apresentadas são analisadas e podem vir a ser aplicadas ou não.


A discussão do Orçamento é feita através de reuniões públicas e inquéritos à população, que apresenta sugestões para aplicação da verba.


Participam nas reuniões todos os cidadãos, nacionais e estrangeiros, maiores de 16 anos. Cada pessoa pode intervir em nome individual e pode assistir a todas as sessões, independentemente do local de residência.


A gestão das reuniões, feita por um moderador independente, constituiu uma grande vantagem na exposição concisa e clara das sugestões de cada participante.


“Estamos ali para trabalhar em conjunto, para ouvir as opiniões e tentar integrá-las ou não, justificando 'o porquê' abertamente às pessoas”, explica António Eusébio que afasta a hipótese de transformar as sessões em campanhas políticas.


No segundo ano de OP foram introduzidas sessões dirigidas as jovens, experiência que o autarca classifica de “muito positiva”.


“Os miúdos nas escolas adaptam-se perfeitamente, dão a sua opinião, têm alguns constrangimentos porque inicialmente, se não lhes explicarmos muito bem o que é isto começam por pensar na sua escola na sua rua e só depois ao nível global do concelho, mas é um exercício muito bom”, diz satisfeito.


Organizar a intervenção do município


O OP constitui um instrumento de planeamento e de controlo da execução do plano de acção do município.


“Obriga-nos a ter um planeamento mais exaustivo do que estávamos habituados”, explica o presidente da autarquia que dá como exemplo a questão de ser reservada uma verba destinada à manutenção dos caminhos do concelho.


Antes apenas se sabia que existia uma verba e depois decidia-se onde aplicar, com o OP o processo de seleccionar os caminhos exactos onde vai ser realizada a obra é feito com maior antecedência.


Fomentar a proximidade com a população


António Eusébio salienta a importância deste trabalho por permitir uma maior aproximação dos eleitores, que passam a ver os autarcas como técnicos e não simplesmente como políticos.


“Numa reunião se vamos lá falar tecnicamente do que é que fazemos as pessoas vê-nos como presidentes de Câmara. Acaba por ser um parecer da pessoa dos objectivos que quer para aquele concelho, independentemente da qual seja a cor política daquele presidente de Câmara”, salienta António Eusébio como uma grande vantagem do OP, além de permitir uma maior transparência da gestão autárquica.


“Ouvimos mais as pessoas e temos mais conhecimento da realidade de cada sítio”, acrescenta.


Outra vantagem é o facto dos técnicos e directores de serviço da autarquia terem conhecimento antecipado do que se pretende fazer no futuro, podendo preparar questões como concursos públicos com mais tempo, na prática existe uma melhoria da comunicação interna do município.


População cada vez mais participativa


Com duas experiência de OP e uma terceira a caminho, a autarquia de São Brás de Alportel faz um balanço positivo, tendo-se verificado um aumento da participação da população no processo de decisão, ao mesmo tempo que se conhecem melhor as áreas de intervenção específicas da autarquia.


No campo das dificuldades de implementação do processo o destaque vai para os recursos humanos e técnicos limitados e limitações financeiras para responder às propostas apresentadas.


A influência do OP em ano de eleições


“Para o ano temos jackpot, temos três em um, isto é um problema! Eleições europeias legislativas e autárquicas e se calhar em simultâneo, eu realmente tenho de pensar nisso, como é que vai ser o plano de actuação para 2009”, diz António Eusébio entre risos quando questionado sobre como irá fazer a gestão do processo em ano de eleições.


“Quando fazemos um orçamento participativo (pelo menos no nosso caso não o fizemos) não estávamos a pensar no calendário eleitoral. Estamos a pensar no que é que temos e no que é que podemos fazer. Vamos efectuando trabalho ao longo de todo o ano e quando chega o ano de eleições é mais um ano”, conclui.


Na formação regional sobre Orçamento Participativo (OP), hoje, em Faro, foi ainda apresentado o caso de Vila Real de Santo António e as perspectivas de Silves nesta área.


Refira-se que, no Algarve, São Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Faro são os únicos municípios que já implementaram o OP. O autarca de Faro, cuja presença estava prevista, não compareceu à sessão. Inês Correia - in "Observatório do Algarve"

19 janeiro 2007

Loulé debate Orçamento Participativo

Presidente da Câmara de S. Brás convidado para palestra

O Rotary Clube de Loulé promoveu, no dia 15 de Janeiro, no Tivoli Marinotel em Vilamoura, uma palestra sobre o Orçamento Participativo em Municípios, para a qual foi convidado o presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, António Eusébio.

António Eusébio iniciou a sua palestra com a apresentação do seu município, enfatizando a acentuada tendência de crescimento demográfico. Esclareceu ainda que o orçamento participativo foi desenvolvido com base na estrutura existente do “São Brás Solidário” que incorpora diversos representantes locais.

O Orçamento Participativo inclui apenas despesas de investimento, ou seja, verbas destinadas por exemplo a obras. Pressupõe uma ampla, activa participação e responsabilização da população através de sessões públicas realizadas nos aglomerados urbanos mais relevantes do concelho.

São estabelecidas prioridades e compromissos nas obras a realizar, tendo em consideração a perspectiva global do concelho e o valor limite estabelecido para o orçamento do município. Tal facto eleva a responsabilidade do Executivo Municipal no compromisso anual na execução de obras que são conhecidas e acordadas pela população. Tal facto pressupõe a existência de uma carteira de projectos prontos a executar e uma dinâmica, disponibilidade e compromisso de toda a estrutura organizativa do município.

O Orçamento participativo foi implementado em municípios como Palmela, em Portugal, S. Paulo (Brasil), Sevilha (Espanha) e Milão (Itália). Verifica-se que a dimensão do município é uma variável que apenas influencia a metodologia da sua implementação.

Rotary Clube em S. Brás?...

No final da reunião o companheiro Palaré exortou o presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel a apoiar a dinamização e formação de um clube rotário naquele concelho, proposta que foi acolhida favoravelmente pelo edil.

15 março 2007

Orçamento Participativo

I Encontro Nacional

O Projecto São Brás Solidário organiza, a 16 de Março, o primeiro Encontro Nacional sobre Orçamento Participativo, a ter lugar no Cine-Teatro Municipal de São Brás de Alportel.

Pela manhã, será feita a apresentação dos orçamentos participativos de São Brás e Palmela. Para a tarde está reservada uma mesa redonda com outras experiências de orçamentos participativos e uma síntese final pelo orador e sociólogo Boaventura Sousa Santos.


"Em pouco mais de década e meia o Orçamento Participativo transformou-se num tema importante de reflexão, que interpela a acção governativa dos poderes públicos, o sentido da participação das pessoas e a própria democracia", revela o Projecto São Brás Solidário.


A primeira experiência de orçamento participativo em Portugal teve lugar em Palmela, em 2001. Seguiram-se iniciativas nos concelhos de São Brás de Alportel, Tomar e Faro, bem como em algumas Juntas de Freguesia da Grande Lisboa, todas em 2006.

Os interessados para este primeiro Encontro Nacional sobre Orçamento Participativo devem inscrever-se através do telefone 289 840 860, ou do e-mail sbrassolidario@sapo.pt.

23 novembro 2006

Quando os cidadãos ajudam a governar

Alexandra Reis, in Jornal Público

Embora ainda residual, o fenómeno da democracia participativa está a ganhar peso nos municípios portugueses, onde cada vez mais as populações são chamadas a dar sugestões ou até a definir elas próprias as prioridades da gestão autárquica. Há quem veja nele um antídoto para a apatia política generalizada. Para outros, porém, do que se trata aqui é da pura demissão do exercício do poder.

"Que intervenções considera prioritárias na sua freguesia? Queremos conhecer de forma rigorosa as suas necessidades. Participe!". Convites deste género estão a ganhar peso nas autarquias do país, onde cada vez mais os cidadãos estão a ser chamados a participar nos processos de gestão e decisão política.

O fenómeno da democracia participativa é ainda residual mas crescente nos municípios portugueses, que vêem nele uma ferramenta para melhorarem o serviço a prestar às populações. Mas também há quem tenda a ver nos convites dos eleitos uma alienação da responsabilidade das suas decisões.

Em Setúbal há um Gabinete da Participação Cidadã. Em Almada existem Fóruns de Participação sobre projectos estratégicos para o município. Santarém, Beja, Serpa e Moita promovem reuniões públicas descentralizadas onde se debatem os principais problemas das freguesias. E Palmela, São Brás de Alportel e Tomar, entre outras câmaras do país, organizam o chamado Orçamento Participativo. A maior parte destes municípios são liderados por autarcas comunistas, mas à direita também começa a haver quem aposte neste tipo de instrumentos para assim melhorar a gestão das cidades.

"É uma tendência pequena quando comparada com outros países europeus", observa a socióloga Isabel Guerra, para quem estas iniciativas deveriam acontecer ainda mais em Portugal, pois era "um sinal positivo de mudança da cultura política". "São minoritárias, mas estão a crescer", precisa Luís Guerreiro, coordenador da comissão técnica do Orçamento Participativo na Câmara de Palmela, pioneira no país na elaboração deste instrumento.

Saber quais os investimentos que a população considera prioritários e "ficar a par dos problemas que não chegam à câmara" são as principais justificações que as autarquias dão para aderir à iniciativa. "Trinta anos depois do 25 de Abril, mal seria se não fosse assim", diz Marlene Guerreiro, porta-voz da Câmara de São Brás de Alportel, uma das quatro autarquias nacionais que aderiram pela primeira vez este ano ao Orçamento Participativo.

Para o presidente social-democrata da Junta de Freguesia da Agualva, outra das autarquias estreantes - Tomar e a junta lisboeta de Carnide também só aderiram agora -, "esta forma de estar na política vai muito além da diferença entre esquerda e direita". "O Orçamento Participativo é um excelente instrumento porque ouvimos as pessoas. E quem mais do que elas para sabermos o que faz falta na freguesia onde vivem?", justifica Rui Castelhano. "Está sempre muita gente".

A democracia participativa, um conceito que ganhou relevo com o Fórum Social Mundial, defende o diálogo e a chamada dos cidadãos a participar no exercício do poder como forma de promover o desenvolvimento sustentável. "Assenta na ideia de que os cidadãos devem participar directamente nas decisões políticas e não apenas, como quer a democracia representativa, na escolha dos decisores políticos", define o sociólogo Boaventura Sousa Santos, para quem "o Orçamento Participativo tem sido um meio notável de promover a participação dos cidadãos em decisões" até aqui da competência exclusiva dos executivos municipais.

Mas será que isto faz sentido, tendo em conta que as populações já delegam, através do voto secreto e universal, o exercício do poder para que representantes eleitos decidam por elas?

Mónica Brito Vieira, investigadora na Universidade de Cambridge, explica que "a maior parte dos defensores da democracia participativa não advoga a extinção do sistema representativo, mas sim que este seja complementado por práticas democráticas de natureza mais participativa". A ideia é estimular "o envolvimento directo dos cidadãos nas decisões políticas que mais directamente lhes dizem respeito", o que, acrescenta, funciona como um "antídoto para a sua apatia política".

Filipe Carreira da Silva, investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, considera também que os processos de consulta pública são uma forma de combater o "alheamento" dos cidadãos relativamente à praxis política. Estes, "cada vez mais cépticos quanto às classes dirigentes, não aceitam que questões que lhes dizem respeito possam ser decididas ao arrepio das suas opiniões" e, por isso, participam. A adesão da população aos processos de consulta pública "é variável" consoante a questão lhes diga mais ou menos respeito. "Participam mais as pessoas com assuntos por resolver", diz Luís Guerreiro. Mas, regra geral, as autarquias ouvidas pelo PÚBLICO referem que "não aparecem multidões, mas está sempre muita gente".

Uma forma de ganhar votos?

Já João Simões Dias, advogado e professor de Direito, vê na consulta às populações "uma forma de o autarca se alhear da responsabilidade das suas decisões", o que pode levar, em alguns casos, "a uma demissão do exercício do poder". O autarca tem, desta forma, "um maior apoio e pode defender-se de eventuais críticas dizendo que aprovou algo porque a população assim quis".
Luís Guerreiro contrapõe que a auscultação da população contribui para uma "gestão mais transparente e aberta que enriquece a democracia e evita a corrupção". "A câmara comete menos erros na decisão se ela passar por uma discussão pública", considera o representante da Câmara de Palmela.

Já Marlene Guerreiro diz que "o executivo nunca se pode alhear da responsabilidade das suas decisões, pois este é um mero processo de consulta", onde a última palavra cabe aos eleitos.
Segundo Filipe Carreira da Silva, "um cínico diria que isso [os processos de participação cidadã] se explica pelas vantagens eleitorais de que os autarcas esperam vir a beneficiar". Contudo, na opinião do investigador, "a principal razão prende-se com uma mudança na cultura política dos países mais desenvolvidos e que no nosso país ganha expressão após o 25 de Abril".

Luís Guerreiro considera que "houve uma altura em que havia o mito de que os processos de auscultação da população eram uma forma de ganhar votos, mas neste momento isso não acontece". O responsável cita um estudo feito por uma universidade alemã, ainda não publicado, onde se verificou que em 30 cidades europeias com projectos de Orçamento Participativo "não há relação directa" entre estes e as vantagens eleitorais que eles podem trazer para os autarcas.

A Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, Sintra, pretende executar 11 projectos de recuperação urbana, mas antes quis saber o que a população achava deles. Para isso lançou um concurso de ideias através do qual enviou aos munícipes 31 mil inquéritos, com informações e imagens de cada um dos projectos. Perto de quatro centenas de respostas foram recebidas, o que leva o presidente da junta, Manuel do Cabo, a congratular-se com a iniciativa.

"Queremos ouvir a população para escolher o melhor projecto", explica o autarca, acrescentando que com isso "não se quer aliviar de qualquer responsabilidade nas suas decisões".

Os inquéritos, lançados em Maio e cujas respostas foram recebidas até ao final do mês passado, permitiram à junta saber que "a grande preocupação da população tem a ver com os espaços verdes, o que vai ao encontro das propostas" da autarquia, observa Paulo Noguez, membro do júri encarregue de avaliar as sugestões recebidas. "Quanto melhor um decisor ou uma empresa conhece o seu cliente, melhor será a sua estratégia e o serviço a prestar", justifica. "A vila não tem arranjo".

Algueirão-Mem Martins é a maior freguesia da Europa. Segundo os Censos de 2001, tem cerca de 63 mil habitantes para uma área de 15,9 quilómetros quadrados. Dez anos antes tinha 40 mil residentes. Esta explosão demográfica foi acompanhada de um crescimento urbanístico desregrado, que não levou em conta as infra-estruturas e os equipamentos sociais necessários.
"Em termos urbanísticos, a vila não tem arranjo. Não há estacionamento. Não há um largo. As ruas são muito apertadas. Os prédios crescem para cima das estradas. Não há um jardim ou um centro bonito", resume Rosalina Guerreiro, que trabalha num café junto ao largo da estação. "Ouvir a população é sempre bom. E já está na hora de mudar o aspecto da vila", diz a comerciante, mostrando o seu apoio inequívoco à iniciativa da junta.

Segundo Manuel do Cabo, o objectivo dos 11 projectos é "redesenhar a paisagem da vila", com a construção de rotundas iluminadas, espelhos de água na bacia de retenção da Tapada das Mercês e intervenções em diversos espaços verdes. A requalificação passa ainda pelo largo da estação e pela construção de um túnel "que sirva de escoamento ao trânsito proveniente do IC19".

O projecto em que a população deposita mais esperanças - a requalificação da estação e do seu largo e a criação de estacionamento em volta - será também o que mais tempo levará a concretizar. "Poderá ser algo para 15 anos. É uma obra de grande envergadura, que envolve demolições. Por outro lado, queremos um programa Polis para ali", explica Manuel do Cabo.
As sugestões dos munícipes serão agora avaliadas por um júri "que vai compará-las com as 11 propostas". Posteriormente, adianta o autarca, alunos de arquitectura da Universidade Lusíada, com base nas ideias dos munícipes, apresentam os estudos para estes projectos. A partir desse momento vai ser lançado o concurso de execução dos projectos, seguindo-se a fase de obra."Em Junho de 2007, a freguesia vai entrar em estaleiro e as obras prolongam-se até ao final do mandato", resume Manuel do Cabo.

A elaboração do orçamento de determinada câmara ou junta de freguesia é submetida a consulta pública, através de reuniões descentralizadas com a população. O município apresenta as suas propostas orçamentais e a população opina e dá sugestões, que podem ou não ser tidas em conta. Mas a última palavra é sempre dos eleitos locais, uma vez que o enquadramento legal português determina que são os órgãos executivos que propõem os orçamentos e os deliberativos que os aprovam, vendando essa possibilidade aos cidadãos.

Em Portugal, o Orçamento Participativo assume assim um carácter meramente consultivo. "Quais as áreas de intervenção que considera prioritárias?" Esta é a questão chave que surge em praticamente todos os inquéritos e a partir da qual se desenvolvem as restantes perguntas. Os inquéritos são distribuídos por todos os munícipes e servem para recolher opiniões ou sugestões, surgindo normalmente associados a outros instrumentos da democracia participativa. O modelo seguido é regra geral o do teste americano, em que quem o preenche só tem de colocar a cruzinha na opção que considera a mais adequada. A informação recolhida é depois tratada, podendo integrar ou não o plano de actividades da autarquia.

São reuniões para debate público de projectos considerados estratégicos para o município. Têm uma determinada frequência e podem ocorrer em diferentes locais do concelho, de acordo com a área de influência do projecto. O objectivo é que a população os conheça e tome contacto com o seu ponto de situação. Os Fóruns de Participação são dirigidos pelos autarcas e técnicos responsáveis pelos projectos. A população tem a oportunidade de colocar questões e sugerir ideias.

As autarquias que promovem reuniões públicas descentralizadas dizem que o seu objectivo "é aproximar a gestão camarária de todos os munícipes e contactar directamente com as suas necessidades". Realizam-se, normalmente, nas diferentes freguesias do concelho e são subordinadas a um determinado tema estratégico para o local onde decorrem. Além da população, podem também participar associações culturais, sociais ou comerciais locais. A ideia é "discutir o problema em sede própria".

É a mais vanguardista das ferramentas aqui tratadas e a primeira a fazer uso das modernas tecnologias de informação e comunicação. Consiste na interacção em tempo real, através de mensagens escritas, entre os munícipes e o presidente de um dado município. A "conversa" decorre via Internet, normalmente num chat de conversação. A ideia é colocar questões, trocar ideias e apresentar sugestões ao autarca sobre o quotidiano do concelho. Os chats, em que só entra quem tenha uma senha e uma palavra passe, ocorrem sempre em dias e horas marcados.

É um instrumento de "participação directa dos cidadãos eleitores de uma determinada circunscrição autárquica que, através do voto, exprimem a sua opinião sobre questões concretas da competência de órgãos das autarquias locais", lê-se no site da Comissão Nacional de Eleições. Em Portugal ainda só tiveram lugar dois referendos locais, ambos em 1999. O primeiro aconteceu a 25 de Abril na freguesia de Serreleis, Viana do Castelo, cuja autarquia quis saber se os munícipes concordavam com a construção de um polidesportivo nas traseiras do salão paroquial. O segundo, a 13 de Junho daquele ano, foi em Tavira.

A pergunta era a seguinte: "Concorda com a demolição do antigo reservatório de água do Alto de Santa Maria?". Em ambos os casos venceu o "não". O Orçamento Participativo (OP) de Porto Alegre, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, foi criado em 1989 e é considerado pela Organização das Nações Unidas como "uma das 40 melhores práticas de gestão pública urbana no mundo". Também o Banco Mundial "reconhece o processo de participação popular de Porto Alegre como um exemplo bem sucedido de acção comum entre Governo e sociedade civil", lê-se no site da prefeitura desta cidade. Porto Alegre foi pioneira na criação deste instrumento, sendo por isso um exemplo onde cidades de todo o mundo, inclusive Portugal, se inspiram para a elaboração dos seus OP. Na cidade brasileira, o OP traduz-se num processo onde a população decide, de forma directa, a aplicação dos recursos em obras e serviços que serão executados pela administração municipal.

"É um processo regularizado de intervenção permanente dos cidadãos nas decisões municipais", explica o sociólogo Boaventura Sousa Santos no livro Democratizar a Democracia. Ao contrário do que acontece em Portugal, em Porto Alegre os cidadãos têm um voto vinculativo quanto à distribuição das verbas do orçamento. Alfredo Alejandro Gugliano, investigador em Ciência Política e Sociologia no Brasil, explica no seu estudo Participação e Governo Local que em Porto Alegre "o processo participativo não está fundamentado em estruturas institucionais descentralizadas (subprefeituras, por exemplo), mas em processos de assembleias cidadãs por zona de moradia e por temas de interesse". A cidade está dividida em 16 regiões de forma a "agilizar a participação".

26 outubro 2007

Orçamento Municipal 2008

População de São Brás de Alportel chamada a participar

Uma sessão temática sobre «Qualidade Ambiental» marcou o início do Ciclo de Sessões Públicas do Orçamento Participativo 2008, neste concelho.

Após a experiência do Orçamento Participativo em 2006, a Câmara de São Brás de Alportel volta a incentivar os munícipes a participar no ciclo deste ano, com vista a partilharem com a autarquia o exercício de planeamento e gestão do município.

António Eusébio, presidente da Câmara, garantiu, em comunicado, que o Orçamento Participativo «veio para ficar», acrescentando ainda que esta iniciativa implica um maior envolvimento de toda a comunidade, permitindo-lhes «estar mais atentos às várias realidades locais» e tornando próximo das populações, um processo que antes era uma tarefa exclusiva do gabinete autárquico.

As comunidades vão poder participar nas Sessões Públicas Locais que vão decorrer em cinco localidades do concelho, em Outubro e Novembro, sempre às 21 horas.

Ainda este mês (dia 30) a Escola (actual Jardim-de-infância) de Corotelo recebe a iniciativa, seguindo-se, em Novembro, a Escola Básica de 1º Ciclo, em Mesquita (dia 6), a Sede do Grupo Desportivo e Cultural em Machados (dia 8), a Escola Básica de 1º Ciclo de Alportel (dia 13) e o Salão Nobre da Câmara de São Brás (dia 15).

Vão ser realizadas três Sessões Públicas Temáticas, no Salão Nobre da Câmara, todas com início às 21 horas, sobre áreas diferentes de acção do município. A autarquia pretende estimular o debate e a reflexão sobre «Qualidade Ambiental» que já decorreu, «Desenvolvimento Social», no dia 31 de Outubro, e «Planeamento e Ordenamento do Território», no dia 20 de Novembro.

Uma Sessão Temática dirigida aos mais jovens terá lugar na Escola Secundária José Belchior Viegas, no dia 5 de Novembro, às 10 horas, e a Sessão de Apresentação dos Resultados está prevista para o dia 23 de Novembro, às 21 horas, no Salão Nobre daquela Câmara.

As comunidades locais podem ainda responder a um questionário de participação, distribuído por toda a população, onde podem deixar a sua opinião sobre o trabalho da autarquia e apontar propostas de investimentos.

Está a decorrer o período de consulta pública do orçamento, até dia 20 de Novembro e a avaliação das sugestões dos munícipes e elaboração da proposta final, até ao dia 23 de Novembro. Até final de Novembro, será realizada a votação da proposta final do orçamento em reunião da Câmara e, até Dezembro, a votação da proposta final em Assembleia Municipal.

A experiência de Orçamento Participativo do concelho integra o Projecto «São Brás Solidário», desenvolvido pela Associação In-Loco, numa parceria com a Câmara Municipal, a Associação de Industriais e Exportadores de Cortiça, os Bombeiros Voluntários de São Brás e a Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar.

07 novembro 2006

Orçamento Participativo

Através da implementação de uma experiência de orçamento participativo, um instrumento inovador, de gestão pública participada, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel convida todos os munícipes a participar no processo de elaboração do Orçamento Municipal para 2007.

A experiência de Orçamento Participativo de São Brás de Alportel integra o Projecto “São Brás Solidário”, desenvolvido por uma parceria constituída pela Câmara Municipal, Associação IN LOCO, Associação de Industriais e Exportadores de Cortiça, Bombeiros Voluntários de S. Brás e Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar.

O Projecto São Brás Solidário é financiado pela Iniciativa Comunitária EQUAL.

EQUAL


Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

União Europeia – Fundo Social Europeu



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02 novembro 2006

Contas na mão do povo

A Câmara Municipal de São Brás de Alportel está a implementar uma experiência de orçamento participativo, com a aprovação do Orçamento para 2007.

O projecto é inovador e pretende aproximar os cidadãos dos processos de planeamento e decisão na gestão pública.

A proposta de Orçamento, que já foi elaborada pelo executivo municipal, vai ser apresentada e posta à discussão da população.

António Eusébio, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, refere que se trata de "um instrumento de trabalho, que colocamos à disposição de todos os munícipes, para que, em conjunto, possamos fazer as melhores escolhas e encontrar as melhores soluções para o desenvolvimento do nosso concelho."

Os munícipes podem dar a sua opinião e fazer sugestões para melhoramento e rectificação do Orçamento de três maneiras diferentes.

Uma delas é através de sessões públicas, que vão decorrer em todo o concelho de 2 a 9 de Novembro, entre as 21h00 e as 23h00. As sessões têm previstos espaços com actividades para crianças, de forma a permitir aos pais participarem na discussão.

Outra forma de participar é através do preenchimento de um formulário que a Câmara disponibiliza nos serviços municipais e na Junta de Freguesia. O documento deve ser preenchido e entregue até dia 10 de Novembro na Secretaria da Câmara Municipal.

A 17 de Novembro vão ser apresentados os resultados da consulta pública, no Cine-Teatro São Brás, pelas 21h00.

Posteriormente o Orçamento vai ser votado em reunião de Câmara e depois na reunião da Assembleia Municipal. Após aprovação por parte deste órgão, o Orçamento Municipal entra em vigor a 1 de Janeiro de 2007.

O Orçamento Participativo de São Brás de Alportel faz parte do Projecto “São Brás Solidário”.


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27 dezembro 2007

Orçamento (participativo) Informativo


define prioridades em São Brás


Depois
de cinco sessões públicas pouco participativas e muito informativas, São Brás de Alportel já aprovou o orçamento para 2008, cujo valor global ascende aos 14,5 milhões de euros.

As áreas do desporto, recreio e lazer vão receber a principal fatia do investimento, absorvendo mais de dois milhões de euros.


Imediatamente a seguir aparecem as intervenções nas vias de comunicação e transportes – com uma verba próxima de um milhão e seiscentos mil euros –, que se deverão traduzir na reabilitação da entrada Sul de São Brás e na construção da segunda fase da circular Norte da sede de concelho.

Já o ordenamento e a renovação urbana vão absorver cerca de 600 mil euros, montante que será canalizado para intervenções como a implementação do Plano de Pormenor do terminal rodoviário ou a pavimentação e requalificação do centro histórico.

Em parcelas idênticas (cerca de 500 mil euros) aparecem as áreas da solidariedade e saúde, ambiente e espaços verdes e desenvolvimento económico.


O orçamento reserva igualmente 712 mil euros para as áreas da cultura e património, parte dos quais serão destinados a obras de reparação e beneficiação do Cine-Teatro São Brás (260 mil euros).

A proposta do orçamento municipal sambrasense foi aprovada por unanimidade em reunião de Câmara, tendo sido ratificada por maioria na Assembleia Municipal de 11 de Dezembro com os votos a favor das bancadas do PS e CDU e os votos contra do PSD.

A versão final do orçamento de São Brás foi antecedida de cinco sessões públicas locais, pouco participadas, onde o executivo municipal deu a conhecer aos são-brasenses o Orçamento para 2008, onde a constante repetição das prioridades definidas, revela o adiamento sucessivo dos principais projectos da autarquia liderada pelo socialista António Eusébio apresentados em 2001 e 2005.

13 maio 2007

Orçamento Participativo 2008

Já começou o Orçamento Participativo
de Crianças e Jovens (OPJC).

A ideia é que nesta primeira experiência, os alunos de seis turmas do 9.º ano (cerca de 120 jovens) tenham a possibilidade de apresentar propostas ao executivo camarário sobre o que consideram ser prioridades de investimento para o concelho de S. Brás de Alportel, com vista a serem incluídas no Orçamento Municipal para 2008.

Ao longo do ano haverá várias sessões preparativas. Numa primeira sessão é explicado aos alunos em que consiste o processo de OPJC. Na segunda sessão cada aluno apresenta as suas propostas, e também são nomeados um delegado e uma delegada que vão representar cada turma. Na terceira sessão são organizadas as prioridades e definidas as propostas que cada turma elegeu. A seguir os delegados de turma vão articular as diferentes prioridades e preparar a apresentação ao executivo camarário, o que deve acontecer lá para Setembro.

16 março 2007

Encontro Nacional sobre Orçamento Participativo


Hoje vai ter lugar no Cine Teatro Municipal de São Brás de Alportel o 1.º Encontro Nacional sobre Orçamento Participativo. Pretende-se reunir as experiências de OP existentes no nosso país, incluindo a de São Brás de Alportel, e também partilhar com todos os actores interessados as potencialidades e limites deste dispositivo de participação cidadã. Inscreva-se nos contactos no Projecto São Brás Solidário .

PROGRAMA

09h00 – Acolhimento dos participantes
09h30 – Mesa de abertura
10h00 – 1º Painel: Construção de uma democracia mais participativa
Experiências de São Brás de Alportel e Palmela
Moderador: Jorge Wemans (Director de Programas do Canal 2/RTP)
11h00 – Pausa Café
11h30 – Debate
12h30 – Almoço

14h30 – 2º Painel: Potencialidades e limites da participação cidadã
Experiências de Carnide, Aljezur, Tomar*, Alcochete*, Aljustrel*, Alvito*
Moderador: pessoa a confirmar
15h30 – Debate
16h30 – Pausa Café
16h45 – Síntese final (Prof. Boaventura Sousa Santos)
17h30 – Mesa de encerramento

Associação Nacional de Municípios
Associação Nacional de Freguesias
Associação de Municípios do Algarve*

28 dezembro 2007

Orçamento Municipal 2008


... com plateia pouco sugestiva
por: Manuel Cantas Lopes, in: Noticias de S. Braz


Quinta-feira, oito de Novembro, pouco depois das vinte e uma horas(...). O sitio dos Machados recebia na sede do Grupo Desportivo e Cultural, os presidentes da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, alguns vereadores e vários residentes, daquela e de outras localidades, onde decorreu uma sessão alusiva ao Orçamento Participativo (OP) 2008 para S. Brás de Alportel.

Confesso que já não tenho muita apetência para sair de casa depois da refeição da noite, mas desta vez fiz um esforço para me deslocar aos Machados (...) porque ainda não tinha observado este novo programa do OP, apesar de se tratar de um plano iniciado no ano transacto (...) e porque ainda tenho uma costela no sitio dos machados (...).

Não seria obviamente estranho admitir que o OP com mais de uma centena de rubricas, distribuidas por uma meia dúzia de porta-fólios, devia trazer para o sitio dos Machados alguma fatia do bolo, pelo menos para restaurar os velhos caminhos de acesso às propriedades, tal como acontece do outro lado da fronteira, um excelente trabalho levado a cabo pela Junta de Freguesia de Estoi, onde os munícipes sambrasenses, nem tão pouco votam naquela freguesia da Capital.

Considerando tudo o que foi dito na mesa de conferencias, face ao OP 2008 e tendo eu observado a Proposta de Plano Plurianual de Investimentos 2006 - 2009 entendi desnecessário, tal como a maioria dos presentes, intervir numa matéria que me pareceu à partida consumada, ficando até com a sensação de se tratar de um Orçamento Informativo e não Participativo como foi anunciado. (...) o verbo participar significa anunciar, avisar, comunicar, informar, etc., aliás o que não deixa de ser interessante para todos os munícipes.

Outra grande questão, não menos importante que também me causou algum pasmo, é a quantidade de obras pretendidas para S. Brás de Alportel, quando o Governo nos vai reduzindo cada vez mais o poder de compra dizendo que não pode baixar os impostos enquanto não estabilizar a divida astronómica do país (...).

Mais estranho ainda, é o facto de eu ter solicitado por várias vezes, desde há mais de uma década, a restauração de um pequeno caminho camarário no sitio dos Machados, pedido esse que ainda não foi satisfeito, ao que parece não por falta de verba.

Por estes e muitos outros motivos, continuamos a admitir haver ainda muitos filhos bastardos em S. Brás de Alportel, que embora sendo europeus, são muito subservientes, razão porque entendemos segundo as escrituras,...

...que algo vai mal nesta democracia.

17 novembro 2006

Orçamento Municipal 2007

é apresentado hoje.

Depois das cinco sessões públicas decorrentes da iniciativa do Orçamento Participativo da autarquia sambrasense, acontece hoje, às 21:00 horas, no Cine-Teatro São Brás, a Sessão Pública de Apresentação de Resultados, onde o executivo dará a conhecer a proposta final do Orçamento Municipal para 2007.


Os munícipes apresentaram "mais de cinquenta propostas e sugestões durante as sessões públicas e quase uma centena de questionários foram preenchidos, veiculando 65 propostas e sugestões de acções", sublinha a edilidade em comunicado.



Tal como nas anteriores sessões públicas, também nesta sessão a organização assegura um atelier de actividades infantis, onde as crianças podem ficar entretidas, dando a oportunidade a todos os adultos de estarem presentes.

12 abril 2008

São Brás recusa-se a ser dormitório de Faro


São Brás de Alportel não quer ser um dormitório de Faro e quer criar emprego para os seus munícipes. Para isso, vai apostar na criação de um parque empresarial e industrial, uma medida que vai ao encontro da política que já vem sendo seguida de criar condições favoráveis para a fixação de empresas neste concelho algarvio.

in: "Barlavento- online" texto:Hugo Rodrigues; Foto: Carlos Sousa

O presidente da autarquia sambrasense António Eusébio foi o convidado da semana passada do programa CRIA FM, realizado em parceria pelo «barlavento» e pela Rádio Universitária do Algarve. Como explicou então o autarca, São Brás pretende criar «uma área empresarial, comercial e de serviços». «A maior parte das pessoas não imagina, mas hoje em dia, uma empresa que precise de 20 mil metros quadrados, cerca de dois hectares, é muito complicado. Há poucas áreas onde se pode ter essa localização e os terrenos são muito caros», disse António Eusébio. A criação desta zona vai ser consagrada num Plano de Pormenor, a ser aprovado «dentro de quatro ou cinco meses».Ao mesmo tempo, a autarquia sambrasense tem implementado uma política de atracção de negócios para o concelho. «Baixámos as taxas para as novas empresas que se quisessem fixar no concelho em 75 por cento, já há dois ou três anos. Também não temos derrama. Se olharmos às contas deste ano, começa a ser notória a preferência de algumas empresas por São Brás de Alportel», contou o autarca.Ainda no que toca a taxas, também se perspectiva haver diminuições nas do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). «A redução desta taxa é um dos grandes objectivos que temos. Tem vindo a ser atrasada porque não sabíamos bem quais seriam as repercussões da nova lei na economia local. Estou convencido que, durante o próximo ano, será possível reduzir as taxas de IMI, tanto para os prédios novos, como para os mais antigos, mas também para os rústicos», anunciou.Por ser pequeno e pouco populoso, São Brás de Alportel é dos concelhos que menos dinheiro recebe do Orçamento de Estado. Ainda assim, são muitas as obras que têm sido executadas naquele concelho serrano e muitas outras estão em cursos ou para começar.Como explicou António Eusébio, aquilo que parece quase um milagre da «multiplicação dos pães», não passa de gestão autárquica cuidada e planificada. «É preciso um grande planeamento. Temos de ter o projecto executado na altura certa, para nos podermos candidatar a determinado fundo assim que seja possível, e conseguir conjugar este trabalho com as necessidades do município», contou. Algo que «não é fácil e é trabalhoso». «No 3º Quadro Comunitário de Apoio, esgotámos todos os fundos ao nosso alcance», frisou. No que toca às obras propriamente ditas, o executivo liderado por António Eusébio contou, nos últimos anos, com a ajuda da população do concelho. O município lançou os Orçamentos Participativos e já fez algumas obras sugeridas por munícipes. Mas, mais do que isso, conseguiu «democratizar» as escolhas estratégicas que são feitas para o concelho. «O Orçamento Participativo dá a responsabilidade a quem faz a contraproposta de pensar: retiro este investimento para fazer aquele. Deixa de haver o comentário depreciativo do não se faz isto ou aquilo para se começar a pensar não se faz isto para fazer aquilo», resumiu.Uma medida que tem tido bons resultados e que, garantiu António Eusébio, «facilita o trabalho do executivo».

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29 julho 2006

“Cházinho do Costume”

Já há algum tempo que a comunicação social não tinha a regalia de assistir aos habituais discursos políticos de António Eusébio no início e/ou no fim de eventos culturais, desportivos ou sociais que decorrem no concelho.

No entanto o presidente da câmara são-brasense não deixou passar a oportunidade que a apresentação da Feira da Serra 2006, que trouxe ao nosso concelho quase meia centena de jornalistas dos mais diversos órgãos da comunicação social nacional, para fazer o seu conhecido discurso das obras feitas e dos projectos para o futuro.

Apesar de ultimamente ser constante no seu discurso alusões às críticas que lhe têm sido feitas, sem nunca especificar, António Eusébio apresentou desta feita um discurso cheio de confiança e segurança, coisa que lhe tem faltado ultimamente. Talvez já suspeitasse que nós, os principais críticos, estivéssemos presentes na conferência de imprensa.

Contudo nenhum dos órgãos imprensa presentes deu qualquer importância às últimas declarações de António Eusébio, muito por culpa destas já começarem a parecer uma “cassete” com “cházinho do costume”.

Aqui fica a intervenção do Presidente da Câmara Municipal na íntegra:

“Quero agradecer a presença de todos os representantes da comunicação social nesta conferência de imprensa, estendendo este agradecimento a toda a colaboração que tem vindo a ser prestada pela imprensa e pela rádio, quer a nível local, como regional e mesmo nacional, de importância determinante para o êxito deste evento.

Depois de uma tão completa abordagem ao certame, depois de mostrarmos quais as novidades desta edição e de vos convidarmos a uma visita guiada à Feira da Serra, que espero que vos tenha aberto o apetite… pouco me resta acrescentar.

Devo dizer, porém, que é para mim, como Presidente desta Câmara Municipal, uma grande satisfação estar aqui hoje a apresentar mais uma edição da Feira da Serra, um evento que é o maior exemplo da estratégia de desenvolvimento que defendemos para São Brás de Alportel: valorizar o património, legado pelos nossos antepassados e com orgulho transmiti-lo às gerações vindouras; apostar na construção de um futuro sustentável.

A Feira da Serra nasceu no início da década de 90, com objectivo de valorizar o que há de melhor no Algarve Interior: as tradições das gentes do barrocal e da serra, as suas danças e cantares, os seus costumes, as actividades ligadas à agricultura, ao artesanato, à produção mais tradicional; promover a gastronomia, a doçaria. Enfim, como gostamos de dizer, um verdadeiro festival de sons, saberes e sabores da Serra do Caldeirão.

Pretende-se promover o interior algarvio e contribuir para o desenvolvimento de um turismo diferente, de qualidade, assente na valorização do património e na defesa do ambiente.

Esta é uma aposta estruturante para São Brás de Alportel, um concelho que cresceu muito na última década e que continua a crescer… E que para acompanhar este crescimento demográfico precisa de responder às necessidades da população.
(pronto! ligou a "cassete" ... são brás cresceu muito e o dinheiro é pouco!...)

Investimos na educação e nas vias de comunicação, com obras estruturantes para o desenvolvimento como a Variante Sul, a 1ª fase da Circular Norte, a Requalificação do Parque Escolar Municipal e a construção da maior escola do concelho.(... e o desenvolvimento económico que obras estruturantes como o Parque de Manobras da Direcção Geral de Viação ou o Centro de Medicina Fisica e de Reabilitação trazem para o concelho?!... mais desenvolvimento e mais empregos?!...)

Apostámos na valorização do património: na valorização das fontes, na construção de miradouros, na recuperação de moinhos, na sinalização de percursos pedestres e de BTT; investimos na melhoria do ambiente. Melhorámos o cartaz cultural e desportivo do concelho. (sem duvida uma das grandes inovações desta câmara, obras feitas com fundos comunitários organizados e pedidos pela associação in-loco nas quais a câmara apresentou-se como parceiro nos projectos e o presidente como corta-fitas, foi lindo!)

Mas agora precisamos continuar.
E continuar a crescer e a desenvolver o concelho é responder aos desafios de futuro:

> A Solidariedade, o sol que ilumina toda a nossa acção;

> O Desporto, que deve ser para todos, porque é sinónimo de melhor qualidade de vida e de melhor saúde.

A grande aposta é a construção das Piscinas Municipais Cobertas, obra que já se encontra a concurso. (... agora confundiu-nos por uns segundos!... a solidariedade é o sol que ilumina a sua acção e a grande aposta é a construção das piscinas aquecidas?!... o.k. !...)

Não posso deixar de referir que em Janeiro de 2007, ao nível de saúde, teremos uma das mais importantes obra a iniciar o seu funcionamento, que é o Centro de Reabilitação Física do Sul.(...importante obra para o concelho?... deve ser porque vai dar emprego ao dr. correia martins!... até prova em contrário a importância está ao mesmo nível do Parque de Manobras)

> As Vias de Comunicação, onde precisamos de continuar com a 2ª fase da Circular Norte e com a aposta importantíssima da Ligação à Via do Infante. (precisamos?... então não é certo que a vai fazer neste mandato, sr presidente?!... precisar, precisar, precisamos de muitas outras coisas também!)

> A qualidade ambiental. Dentro de poucos meses, poderemos dar início à despoluição das nossas ribeiras, com a entrada em funcionamento do Sistema Intermunicipal de Saneamento. (depois de a Algar pôr a funcionar o sistema intermunicipal, a câmara vai ficar sem desculpas para não proceder a despoluição das ribeiras. Promessa essa que foi feita pessoalmente pelo sr. presidente no ano de 2001 quando se apresentou aos são-brasenses pedindo-lhes que confiassem em si!)

Sabemos que as grandes obras são importantes, mas não pudemos deixar de dar atenção às pequenas obras, e à proximidade dos nossos munícipes, para pudermos cada vez mais, e de forma mais célere, responder aos anseios e preocupações dos nossos munícipes. (... os munícipes continuam à espera de uma explicação cabal acerca da demolição do armazém na rua serpa pinto, e o sr. presidente vem com esta conversa?!... os munícipes querem respostas e não conversa fiada!)

Continuando a valorizar o património, os lugares, continuando a aposta na Cultura, na Educação, combatendo a Exclusão Social e tornando esta terra, não só mais bonita, mais acolhedora, com mais emprego, mais segura onde realmente onde viver sabe bem…

Também a pensar nos são-brasenses e para construir com todos um futuro melhor, vamos no próximo ano implementar uma experiência de orçamento participativo. (o orçamento onde a malta amiga pode dar umas dicas para receberem mais uns trocados em troca de projectos sem qualquer utilidade ou eventos sem qualidade!... esperamos estar enganados!)

Uma das grandes mais valias desta edição da Feira consiste em congregar o envolvimento de agentes económicos que diariamente contribuem para o desenvolvimento do concelho, desenvolvimento pleno, não apenas económico, mas também social, gerando emprego e mais riqueza local.(voltamos ao tema: feira da serra, agora gera emprego?!... confessamos que ficamos curiosos?... quantos empregos criou a feira da serra?... para quantos são-brasenses?... por quanto tempo?!...)

Parceiros na realização deste grande invento, onde não posso deixar de destacar o patrocinador oficial – Intermarché, cujo gerente nos honra com a sua presença.

Antes de terminar, gostaria ainda de vos chamar a atenção para o novo Sítio da Cortiça, a justa e tão merecida homenagem ao sector industrial mais representativo do nosso concelho, onde nasce a melhor cortiça do mundo.

Neste espaço poderemos observar a forma tradicional de trabalhar a cortiça, trabalhando a prancha, recortando-a, e procedendo à sua escolha de qualidade, e por outro lado, observando os produtos de inovação deste sector, a aplicação ao mundo da moda, a forma mais actual e inovadora de trabalhar a cortiça na moda nacional e internacional….

É também neste Âmbito que estará patente a exposição sobre Desertificação e Desenvolvimento Rural, que queremos que sensibilize quem nos visita para a problemática da erosão dos solos, do abandono da serra, da problemática dos fogos florestais, da necessidade de invertermos o passado recente e congregarmos esforços para defender a nossa floresta, riqueza de todos nós."

Terminou assim a conferência de impressa e todos aproveitamos e dê-mos mais uma voltinha à mesa dos canapés... sem dúvida o melhor da apresentação!

01 fevereiro 2006

Reciclagem e Certificação da Cortiça - 2

Certificação da cortiça do Caldeirão

No decorrer do "Projecto São Brás Solidário", a AIEC, em colaboração com a Câmara Municipal de São Brás de Alportel, a Associação In Loco, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel e a Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar, vai implementar:

o "Orçamento Participativo no Concelho"; uma "Rede de Voluntariado do Concelho"; uma "Rede de Trocas não-monetarizadas"; e a realização de um programa de rádio semanal, a ser emitido pela Rádio São Brás, onde serão divulgadas junto da população local, todas as informações relativas às actividades do projecto, bem como de cada uma das entidades envolvidas.
No âmbito do Projecto Agris, a AIEC vai estabelecer um "Sistema de Gestão Florestal Sustentável para a Serra do Caldeirão", constituído por um "Modelo de Gestão Florestal Sustentável" e por uma unidade territorial na qual se aplica o Modelo. Vão também preparar os procedimentos necessários para a certificação desse "Modelo de Gestão Florestal Sustentável", certificando todos os produtos obtidos nessas áreas.

A última meta consiste na preparação dos procedimentos necessários para iniciar o processo de certificação da "Cortiça do Caldeirão".

A AIEC integra a Associação Rota da Cortiça, a qual irá, no presente ano, implementar e dinamizar a "Rota da Cortiça", cujo objectivo é contribuir para a afirmação da Serra do Caldeirão, mais concretamente do concelho de São Brás de Alportel, como um destino turístico de referência na temática da cortiça, para segmentos específicos do público nacional e internacional.

Prometem também tentar dinamizar a constituição da "Zona de Intervenção Florestal" na Serra do Caldeirão, objectivo considerado "fundamental".

A AIEC vai continuar, no ano de 2006, o seu esforço de promover o concelho de São Brás de Alportel como a "Capital Histórica da Cortiça". Neste âmbito, vão continuar a incentivar a criação de um "Pólo Industrial Corticeiro", o qual representará "um grande investimento num dos sectores de maior importância histórica e económica do concelho", sublinham.


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