Precisamente na data em que António Eusébio celebra um ano, no segundo mandato, à frente dos destinos de S. Brás de Alportel, o edil fala-nos do seu concelho, do crescimento, e dos projectos futuros porque “S. Brás está na moda e dá gosto viver aqui”.
A trabalhar já no segundo mandato, na Câmara Municipal, e um ano após as eleições que o colocaram, com maioria absoluta, à frente dos destinos de S. Brás de Alportel, António Eusébio apresenta-se motivado para os restantes três que tem pela frente: “É um desafio interessante ter começado há cinco anos atrás a trabalhar num concelho que tem vindo a crescer, demograficamente, sempre na ordem dos 3,5 aos 3,9 por cento ao ano, o que implica uma atenção especial para os nossos munícipes sobretudo nas áreas da solidariedade, da educação, das vias de comunicação e do ambiente, para responder às necessidades de uma população crescente e assegurar a qualidade de vida que desejamos”.
Já no segundo mandato de trabalho, o presidente da Câmara mostra-se satisfeito: “A maioria absoluta nas últimas eleições foi a melhor resposta que a população nos podia dar, demonstrativa da confiança no trabalho que realizamos. Todos os dias trabalhamos, lutando contra dificuldades e barreiras difíceis de transpor, em prol da sustentabilidade deste crescimento. Com muito trabalho e esforço, os resultados têm sido muito positivos para São Brás de Alportel, o que nos dá muita satisfação”.
S. Brás de Alportel é um concelho pequeno, localizado entre o barrocal e a serra, composto por uma única freguesia, e “embora não tenhamos recursos para realizar todas as obras e todos os projectos que desejaríamos, e para responder a todos os anseios dos nossos munícipes, com um planeamento rigoroso, com uma gestão cuidada e atenta, vamos realizando um trabalho que pensamos ser do agrado das pessoas e que nos vai dando esta vontade de continuar a trabalhar pelo concelho”.
Em pleno interior algarvio, “entre o mar e a serra”, António Eusébio realça a necessidade de “ser inovador, para responder a um desenvolvimento diferente de um desenvolvimento do Litoral e fazer com que as pessoas que vêm viver para S. Brás de Alportel tenham mais qualidade de vida, numa aposta no ambiente, na educação, no ordenamento urbano”. Daí, por exemplo, a aposta na educação: “Temos um parque escolar lindíssimo, que é um dos melhores do Algarve e seguramente do país, onde conseguimos integrar este ano, todos os alunos não só do 1º ciclo mas também do pré-escolar”.
O turismo e a Capital Histórica da Cortiça
S. Brás de Alportel é a Capital Histórica da Cortiça precisamente porque nasceu, cresceu e desenvolveu-se devido à cortiça: “Em 1914 era das freguesias mais ricas do concelho de Faro e precisamente pela sua dimensão económica, destaca-se e forma um concelho autónomo”. Nesta altura, existiam no concelho mais de duas centenas de empresas corticeiras de pequena dimensão, familiares, e quase todo o concelho vivia desta actividade. “Hoje a situação alterou-se, mas mesmo assim, o sector corticeiro é o segundo maior empregador do concelho, há empresas que se desenvolveram e que têm já uma dimensão razoável”. Neste momento, existem cerca de dez empresas tecnologicamente bem equipadas e que fazem preparação da cortiça e também transformação.
Dois terços do concelho são serra, onde existem os sobreiros, local de onde provém “a melhor cortiça do mundo, dadas as suas condições naturais”. Daí a valorização do concelho de S. Brás à volta da cortiça e a criação do projecto «Rota da Cortiça». “É um projecto turístico ambicioso, que está a ser dinamizado pela Associação Rota da Cortiça, no qual participam a Câmara Municipal de S. Brás de Alportel, a Delegação do Algarve e Baixo Alentejo da Associação de Industriais e Exportadores de Cortiça, a Associação de Agricultores do Concelho de S. Brás, a Santa Casa da Misericórdia de S. Brás de Alportel – Museu do Trajo do Algarve, a Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, a Associação IN LOCO e a Região do Turismo do Algarve. O objectivo é promover o desenvolvimento turístico, económico e social dos territórios produtores e ou transformadores de cortiça”.
Desta forma, as pessoas vão poder ver a origem da cortiça - o montado de sobro - no interior da serra algarvia, e depois visitar as indústrias, para acompanhar, através de várias etapas, o seu percurso industrial “desde a cozedura até à transformação, passando pela produção da rolha de cortiça, um dos seus produtos. Poderão também conhecer um pouco da história desta cortiça, no pólo museológico que ficará sedeado no Museu do Trajo ”. Neste momento, a «Rota da Cortiça» aguarda apenas financiamento e aprovação por parte dos fundos comunitários ainda do III Quadro Comunitário de Apoio.
Por outro lado, explica o edil, “depois da ida à serra e do conhecimento da indústria, há também toda uma vertente turística e cultural, em torno desta Rota da Cortiça, que passa pela restauração, não só no centro urbano, mas também no interior, para que haja cada vez mais gente a saborear a nossa gastronomia serrana, um dos tesouros que temos para oferecer no concelho e a doçaria, que hoje vai sendo cada vez mais reconhecida, em certames que a levam à região e ao país. Esta vertente passará também pela visita a outros locais de interesse, como o futuro Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha, em torno do ex-libris arqueológico do concelho”.
É pensando na história do concelho e no desenvolvimento do turismo que surge este projecto, e António Eusébio reforça a ideia de que “o turismo de um concelho do interior, como S. Brás de Alportel, tem que ser visto de forma diferente do turismo de sol e praia, sobretudo tem que ser visto de uma forma integrada, englobando várias áreas de oferta turística. Começando, desde logo, pela porta de entrada do turista, com qualidade ambiental e urbana: espaços verdes, zonas pedonais, zonas de estacionamento, sinalética organizada. E por este caminho temos seguido, com muito investimento nestas áreas.
Numa segunda fase, tivemos a preocupação em defender e valorizar o património: a “Calçadinha de S. Brás de Alportel”, antiga via que parece ter origem na época romana, assume-se como o elemento mais valioso e por isso é objecto de todo um projecto de valorização que culmina dentro de poucos meses com a abertura do novo Centro Explicativo. Mas também são alvo de valorização um conjunto de outros elementos do património, desde logo o Centro Histórico, que está ser requalificado, e alguns edifícios de maior interesse. E não nos ficámos pela vila, estamos a valorizar o património rural: as fontes, os poços, com projectos de valorização que requalificam os espaços públicos e ajudam a preservar a memória dos poetas do concelho. Ao mesmo tempo, criámos novos locais de interesse: Miradouros, em locais de vista privilegiada, geopontos, novos parques de merendas e percursos pedestres, que recuperam caminhos antigos e são uma excelente aposta num turismo diferente, assente sobre os valores da história e da natureza”.
Ao nível turístico destaque ainda para o Parque da Fonte Férrea, que foi reabilitada e que é um espaço de grandes potencialidades, à entrada da serra algarvia (a norte de São Brás de Alportel, junto à EN2, Estrada Património) e para os desportos de aventura, sendo o BTT uma aposta importante do município, que pretende acolher em breve um “Bike Park”, devido às condições privilegiadas do concelho para a prática deste desporto.
O presidente da Câmara acredita que só desta forma, “conjugando diversas áreas e promovendo diferentes potencialidades, será possível diferenciar o turismo no interior, fazer com que as pessoas se sintam bem em São Brás de Alportel e recomendem a região a mais visitantes”.
Ascensão do sector corticeiro e futuro
Analisando o sector corticeiro, que está em declínio, o presidente da Câmara sublinha que, para além da seca, dos fogos e da doença dos sobreiros, falta “alguma dinâmica económica, um problema mais vasto, que só pode ser entendido ao nível nacional. Uma das soluções, para revigorar este sector, poderá ser a criação do Pólo Tecnológico da Cortiça, um dos projectos estruturantes, apontado pelo município, aquando da revisão do Plano Regional do Território do Algarve (que está a decorrer), A dinamização das zonas industriais é outra das apostas e a inovação é também essencial, temos até um exemplo no concelho, que é a Pelcor, uma empresa que deu à cortiça um novo horizonte, comercializando produtos em “pele de cortiça”, tendo valorizado a matéria-prima. E é precisa também uma aposta na formação de novos trabalhadores, dando-lhes assim competência para trabalhar num sector que não está nos seus melhores dias”.
Um projecto novo que poderá trazer grandes investimentos para o concelho, mas que tem suscitado algumas dúvidas, por parte da população, e no sector corticeiro, é a implantação de uma unidade de digestão anaeróbia. António Eusébio desvaloriza a questão, afirmando que as dúvidas se devem certamente ao facto de se tratar de uma indústria na área da valorização de resíduos, temática que conduz facilmente a incorrectas interpretações.
Apesar de considerar pertinentes todas as questões que podem ser levantadas, António Eusébio mostra-se convicto que, “depois de esclarecidas as dúvidas, as pessoas compreenderão o que está a ser tratado”. O projecto em causa, de implantação de uma Unidade de Digestão Anaeróbia, fará a transformação de resíduos orgânicos, sobretudo verdes, em composto, com a produção de biogás, “em ambiente fechado (e por isso a designação anaeróbia), o que evita a libertação de odores para o exterior”. Uma outra vantagem que o nosso entrevistado sublinha é o investimento “de mais de três milhões de contos e a criação de mais emprego no concelho, para além da criação de infraestruturas, nos loteamentos industriais, que será mais um factor gerador de dinâmica empresarial”.
Sobre o projecto, a Câmara Municipal apenas se pronunciou sobre a localização e aguarda o evoluir do processo, mas António Eusébio garante que “se existissem algumas dúvidas de que a tecnologia aplicada pudesse criar algum tipo de perigo para o concelho ou para a população, eu era, o primeiro, como presidente de Câmara e munícipe, a não aceitar este investimento no concelho”.
Nos próximo três anos de mandato, António Eusébio pretende “criar novas infraestruturas desportivas, que não existem no concelho, sendo prioritária a construção das Piscinas municipais cobertas”. A Câmara Municipal está neste sentido a desenvolver todos os esforços para que esta obra, de grande valia para o desporto, a qualidade de vida e o desenvolvimento social do município possa ser uma realidade a curto prazo.
Ao nível de acessibilidades viárias, o futuro passa pelo “prolongamento da Circular Norte, para que se feche o anel circundante a S. Brás de Alportel”. Ao nível ambiental, destaque para “uma das maiores obras feitas em S. Brás nesta área e que está a ser concluída, que é a ligação das águas residuais ao Sistema Multimunicipal de Saneamento do Algarve, o que vai permitir desde já encerrar as Estações de Tratamento e eliminar a poluição nas Ribeiras do Alportel e dos Machados”.
Existem também inúmeros projectos ao nível da educação, como “o desenvolvimento de um centro de interpretação ambiental / quinta pedagógica, um centro explicativo da Serra do Caldeirão, a casa da juventude, o centro museológico do Alportel… Todos estes projectos, com obras já concluídas, ou em fase de conclusão, estão à espera de permissão legal para se proceder à contratação de mais pessoal, uma vez que a Lei do Orçamento do Estado para 2006, num dos seus artigos, vem proibir que as autarquias realizem neste ano mais despesa em pessoal do que no ano anterior”. Uma lei que ao que parece não atende à realidade dos municípios e que prejudicou São Brás de Alportel, um município, onde o valor da despesa com pessoal está muito aquém dos limites que são impostos pelo Estado, onde também não se coloca a questão do limite ao endividamento e onde novos serviços e espaços foram criados, para responder às necessidades de uma população em crescimento.
“Isto deve-se ao crescimento do concelho: se estivéssemos a perder população tínhamos menos necessidade de efectuar despesas com pessoal necessariamente. Mas como estamos em franco crescimento, temos inúmeros projectos, em fase de concretização e sem pessoas não podemos pôr os equipamentos em funcionamento”.
in: O Primeiro de Janeiro