04 maio 2007

Bigfoot à solta em S. Brás


Um português radicado em Espanha decidiu investir no Algarve para mostrar aquilo que sabe fazer melhor: acrobacias em automóveis e motas, e conduzir um camião gigante, à semelhança dos espectáculos norte-americanos.

“Nós trabalhamos há 10 anos com espectáculos de duplos de cinema, em Espanha, e vamos ver como resulta cá”, diz Walter Franco, acrobata de automóveis, ao Observatório do Algarve. Walter trouxe para o Algarve um espectáculo de acrobacia com números que incluem carros em duas rodas, piões, passagens em barreiras de fogo, saltos em movimento e acrobacias de mota.

Ao todo, habitualmente há sete pessoas envolvidas nas performances que parecem mais arriscadas do que são, na realidade: “Nós treinamos muito as manobras, antes de as colocar nos espectáculos. Aí sim, quando estamos a treinar às vezes pode acontecer partir um braço, ou uma perna, quando o carro capota, por exemplo. Mas são ossos do ofício. Quando vamos para o espectáculo, já é diferente. Nunca tivemos um acidente num espectáculo nosso”, afirma.

Walter tem trabalhado como duplo para o cinema, numa empresa radicada em Espanha, e tem duas filhas, uma de sete e outra de 17 anos. Ambas também já “dão uns toques” nas acrobacias: “A mais pequena está agora a começar a aprender, para entrar no negócio da família”, afirma.

Um bónus bem grande

Uma das grandes atracções dos shows, que decorrerão em São Brás de Alportel no sábado às 18h00 e às 21h30 e no domingo às 18h00, é a presença de um “Bigfoot”, uma pick-up gigante cujo principal passatempo é esmagar carros, à boa maneira norte-americana.

“O Bigfoot tem quase quatro metros de altura e três de largura, e tem 10 toneladas de peso”, refere Alter Franco. Nos poucos minutos em que entra em cena, o motor de 500 cavalos consome cerca de 40 a 50 litros de gasóleo, para fazer mexer o carro gigante.

Depois de São Brás de Alportel, estão já marcadas as datas de 12 e 13 de Maio em que o espectáculo estará em Loulé.

Os bilhetes custam cinco euros para as crianças e 10 euros para os adultos, e o espectáculo tem uma duração aproximada de uma hora e meia.

Os Maios


Um pouco por todo o Algarve, o primeiro de Maio é celebrado com a degustação de caracóis em piqueniques na praia ou campo e com a saída à rua de uma peculiar tribo algarvia feita de trapos chamada de "Maios".

Os Maios são na realidade bonecos do tamanho de gente e feitos de palha de centeio, trapos, jornais, almofadas ou roupa velha e que são colocados pelos criadores (população algarvia) nas açoteias, janelas e à beira da estrada para celebrar o 1º de Maio e a chegada da Primavera.

Os Maios estão atentos à realidade nos nossos dias e todos os 1ºs de Maio vêm para a rua denunciar as más políticas vigentes no país ou simplesmente sentarem-se debaixo de uma sombra com o objectivo de celebrar o Dia Internacional do trabalhador sem fazer nenhum.

Um dos Maios encheu-se de coragem e resolveu mascarar-se de primeiro-ministro, José Sócrates, com um traje universitário e na lapela uma etiqueta a dizer: "Engenheiro Sogrates, engenheiro das Obras Feitas".

O cartaz ao lado do Maio mascarado de Sócrates, feito pelo seu criador, Miguel Marcelino, 12 anos, revelava ainda um poema onde se podia ler: "Para seres engenheiro/ não tens muito que estudar/basta teres muito dinheiro/ ou o povo em ti votar".

Como em todas as sociedades, também na tribo dos Maios há várias classes: uns são os satíricos, outros são mais mandriões e preferem fazer piqueniques à borda da estrada e mostrar o que se come no Algarve por estes dias, como as nêsperas, amoras, morangos e claro muitos caracóis e caracoletas.

Há ainda aqueles Maios que preferem fazer ciclismo, ir a funerais onde o morto ainda vai vivo ou celebrar casamentos à moda antiga.

Entre os Maios há também minorias que preferem fazer a apologia da defesa do Ambiente e apelam, com cartazes, à reciclagem vestindo-se com garrafas e garrafões de água, colocando no cabelo as carapaças ocas dos caracóis.

Perto da localidade da Fuzeta (Olhão), estava ainda um pequeno Maio, com um grande sentido cívico, a pedir aos donos dos animais para apanharem as fezes da via pública e um outro, mais gorducho a demonstrar que a comida rápida e com elevados níveis de gordura faz mal à saúde.

Os Maios, primos afastados dos fantoches e espantalhos, sempre encantaram a população algarvia e do resto de Portugal, e muitos enfrentam longas filas no trânsito na EN 125 só para verem os bonecos e recolher ensinamentos ou tirar uma fotografia com aquelas "celebridades".

Sou do Alentejo e há cinco anos que venho ver os Maios. É uma ocupação das pessoas que vem de antigamente e vale a pena vir recordar como elas se vestiam", disse à Lusa Ana Paula Marques, 42 anos.

Uma das criadoras dos Maios, Sandra Sousa, 20 anos, afirma que este ano se esmerou para dar vida aos seus bonecos, comprando luvas de látex para dar forma às mãos com ar e unhas falsas para conseguir dar um ar chique à senhora Maio no piquenique dos caracóis. Com um carácter pagão, antigamente as festas de Maio duravam três dias. Hoje reduziu-se a celebração da Primavera para um dia, e há cada vez menos exemplares de Maios espalhados pelas janelas e telhados do Algarve, passando a ser mais uma forma dos negócios de estrada conseguirem vender mais petiscos e bebidas.

Mil voluntários contra a fome

Banco alimentar inicia campanha amanhã


Cerca de mil voluntários estão mobilizados para o início da campanha do Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve (BACFA) que se realiza este fim-de-semana em 43 superfícies comerciais da região.

Amanhã e domingo a sociedade civil poderá contribuir com alimentos que serão distribuídos por 18 instituições de solidariedade social, o que permitirá apoiar cerca de 7500 famílias algarvias carenciadas. A acção será desenvolvida nos concelhos de Albufeira, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves e Tavira.

António Barão, presidente da Casa dos Rapazes, uma das instituições beneficiadas com esta acção, salienta que “todas as dádivas são bem-vindas para quem tem de alimentar duas centenas de pessoas diariamente”.

Hoje, o BACFA vai inaugurar a sua sede, em instalações cedidas pela Câmara de Faro.

In: Correio da Manhã

03 maio 2007

Eleições antecipadas na RTA

Doze dos 33 elementos da Comissão Regional querem eleições Autarquia São-Brasense entre os signatários

Comissão Regional vai reunir para analisar a convocação de eleições antecipadas na Região de Turismo do Algarve (RTA).

Doze dos 33 elementos da Comissão Regional da RTA responderam ao apelo do PS e pediram hoje a convocação de uma reunião extraordinária com o objectivo de marcar eleições antecipadas no turismo algarvio.

O pedido, assinado por mais de um terço dos elementos da Comissão Regional e com um único ponto na ordem de trabalhos, foi entregue ao final da manhã na RTA. Entre os signatários encontram-se as sete autarquias lideradas pelo PS (Faro, Portimão, Olhão, Monchique, Aljezur, São Brás de Alportel e Lagos), a que se juntam os representantes da Direcção Regional de Cultura, AHETA, TAP, UGT e Administração Regional de Saúde.

“Os estatutos são muito claros. Vamos convocar a reunião. Neste momento o assunto está a ser tratado pelo departamento administrativo”, confirmou José Dias ao Jornal Observatório do Algarve.

O substituto de Hélder Martins na comissão executiva adiantou que a reunião será aberta à comunicação social, tendo em conta o interesse público que o caso tem gerado.

O clima de instabilidade subiu de tom depois de o presidente da RTA ter suspendido o mandado, alegando “razões pessoais”, para negociar a entrada num grupo económico ligado ao sector do turismo. Hélder Martins foi ainda acusado de estar já a trabalhar no privado, apesar de o mandato só terminar a 2 de Junho.

“O importante é que estão reunidas as condições para se convocar a reunião. A situação na RTA é insustentável e deve ser clarificada”, sublinhou o presidente do PS/Algarve, Miguel Freitas.

A reunião terá lugar 15 dias após os elementos da Comissão Regional receberem notificação dos serviços da RTA, situação que deverá acontecer ainda esta semana.

O Observatório do Algarve aguarda ainda uma reacção de Hélder Martins e da Secretaria de Estado do Turismo, que tutela a RTA.

Pedro Maia

02 maio 2007

GNR recupera material furtado

Dois suspeitos foram constituídos arguidos

A GNR de São Brás de Alportel recuperou material furtado em duas residências daquela vila, nos dias 13 e 19 de Abril, no valor de 5300 euros. Dois suspeitos foram constituídos arguidos: um homem de 26 anos pela suspeita da prática dos dois furtos e já com antecedentes noutros crimes como roubos por esticão, e um ucraniano, de 30, por suspeita do crime de receptação.

O suspeito de ter praticado os furtos – de uma casa levou uma serra eléctrica, uma máquina de cortar azulejos e uma rebarbadora e, de outra, um jarrão em estanho – terá confessado depois de ter sido confrontado pelas autoridades. Disse que já não tinha o material com ele porque havia vendido a um estrangeiro. Este confirmou à GNR que tinha comprado a mercadoria, mas disse desconhecer que seria furtada. O material recuperado foi entregue no posto e devolvido aos seus proprietários.

A.I.C - In: Correio da Manhã

Procissão Aleluia 2007

Aqui fica um "cheirinho" da Procissão de Aleluia de S. Brás para o resto do mundo. Os videos uma gentileza do José Neves de Gorjões-Faro.



Video 1 - Ruas Floridas



Video 2 - A procissão




Nove horas em ponto. Lá no alto, os foguetes matinais rebentam barulhentos, anunciando a chegada de mais um dia de festa. Nas ruas, o reboliço habitual de quem ultima os últimos pormenores. Os tapetes de flores rasgam as artérias, embelezando-as, perfumando-as, dando-lhes vida. Sobre o verde, uma paleta enorme de cores, formas e tamanhos. Predominam as flores campestres. No ar evidencia-se o cheiro do alecrim, do funcho e do rosmaninho. Nas varandas e janelas, debruçam-se colchas. A azáfama nota-se no rosto de quem trabalha para levar a cabo o maior e mais mediático evento da terra. Os sorrisos e o contentamento espelham-se no rosto daqueles que elegeram a vila para passar e passear neste dia. É domingo de Páscoa.
A caminho da igreja Matriz os homens caminham orgulhosos empunhando as tochas floridas. A outrora conhecida festa do Aleluia, rendeu-se às evidências do marketing e deu lugar à festa das tochas floridas. Na procissão participam apenas os homens, devidamente apetrechados das tochas multicolores. Ao despique entoam o emblemático cântico que se faz ouvir ao longo do seu percurso – “Ressuscitou como disse?” ao qual respondem em uníssono - “Aleluia! Aleluia! Aleluia!”. Além do cântico, das tochas e das flores, a secular procissão do Aleluia é igualmente conhecida pela aguardente de medronho, fiel companheira daqueles que nela desfilam e cujas gargantas se ressentem com o sonoro grito. Nesta procissão não há imagens religiosas, mas medronho, são litros e litros. Estas peculiares características já fazem desta festa um dos principais cartazes turísticos do Algarve em época baixa. Nas ruas, os visitantes são aos milhares. Cada vez mais.
Ao entardecer, a vila entra novamente na calma e na pacatez. Os tapetes estão desmanchados, trabalho intenso de dias e dias a colher plantas e flores, horas de dedicação na construção para escassas 3 ou 4 horas de fulgor. Mas também é essa a magia da festa, a efemeridade. Todo o impacto visual, odorífero e sonoro da festa perpetuar-se-á seguramente naqueles que a presenciaram. Religiosa ou pagã? Sagrada ou profana? Não interessa! É Páscoa em São Brás de Alportel, cumpra-se a tradição!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

in: Calcanhar de Aquiles

01 maio 2007

1.º de Maio

Dia Internacional do Trabalhador


Maio Maduro Maio

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

(Zeca Afonso)


Oferta Emprego

A Câmara Municipal publicou no passado dia 30 de Abril, no seu site (www.cm-sbras.pt) aviso para a contratação de pessoal a termo resolutivo certo:

Dois Técnicos Superiores de 2.ª Classe (Educação Física)
Um Técnico Superior de 2ª classe (Médico Veterinário)


Entrega de candidaturas: O requerimento de candidatura, dirigido ao Presidente da Câmara Municipal de S. Brás de Alportel, Rua Gago Coutinho n.º 1, 8150-151 S. Brás de Alportel, deverá ser entregue na Secção de Pessoal, no prazo de 5 dias úteis a contar a partir da data da publicação do aviso (27 de Abril).

30 abril 2007

Segundo emprego do Presidente

Taveira pede esclarecimentos à Assembleia

Rui Taveira, aqui identificado como o alegado autor do polémico sbras.blog foi à Assembleia Municipal (no dia 12/Fev) pedir esclarecimentos diversos. O segundo emprego do Presidente da Câmara, as contas gerência de anos anteriores referentes à concessão de subsídios e apoios conjuntamente com os protocolos assinados entre associações e autarquia, fizeram parte duma “lista” que Taveira presenteou a Assembleia Municipal, perante o evidente mau estar da edilidade presente na reunião.

Dirigindo-se à assembleia municipal, Taveira, visivelmente nervoso, começou por relembrar o diferendo que opõe o presidente da câmara e o sbras.blog e após apresentar-se como «parte interessada, munícipe e autarca do concelho» solicitou que fosse informado por escrito acerca do «tipo de colaboração» existente entre o presidente da câmara e a Universidade do Algarve. Pediu também as datas em que foram apresentadas à assembleia municipal as informações sobre a referida colaboração. Continuou com a solicitação do numero comissões, grupos e/ou observatórios criados pela câmara e o numero de vezes que reuniram e prolongou a lista com pedidos de protocolos assinados e apoios concedidos às associações deste 2002 até à data. Terminou desafiando o Presidente da Assembleia Municipal, «depois do trabalho de recolher essa informação», a partilhá-la com os restantes membros da Assembleia Municipal.

O Presidente da Assembleia Municipal, Correia Martins, fez registar o pedido de Taveira, dando em seguida continuidade aos trabalhos da assembleia, em período de intervenção do público deu-se a palavra a outro munícipe.


Eusébio dá raspanete a Taveira

Ao aperceber-se que Taveira se preparava para abandonar a assembleia municipal, António Eusébio o presidente da Câmara mandou a sua secretária atrás de Taveira, para que este não abandonasse a sala pois queria responder ao munícipe.

Ao regressar à sala Taveira mostrou-se surpreendido pois «as suas questões eram dirigidas à assembleia municipal, não entendendo porque quereria o Sr. Presidente da Câmara lhe responder.».

Eusébio começou por informar Taveira que não iria «responder a coisa nenhuma» e em tom de desprezo acrescentou que «não lhe reconhecia qualquer legitimidade para solicitar esse tipo de informação». Taveira interrompe a dizendo «vai responder, vai!... De um modo ou de outro pode ter a certeza que vai responder». Eusébio continuou acrescentando que logo iria ver se responde ou não, passando em seguida a acusar Taveira de vir para a assembleia Municipal preparar a sua defesa contra a queixa feita ao blog e garantiu que a sua queixa irá ser levada até às últimas consequências. Eusébio usou ainda os filhos para justificar a queixa apresentada. «Ninguém imagina como se sentiram os meus filhos» referiu.

Enquanto Eusébio falava, Taveira “fervia” e ia interrompendo com respostas entre dentes «vais responder, vais!», «eu também tenho filhos», «é pena que só tenhas lembrado dos filhos para justificar a queixa!». Ainda Eusébio falava, Taveira levantou-se e abandonando a assembleia ainda teve tempo para retorquir alto e em bom som para quem quisesse ouvir «venho assembleia pedir um esclarecimento e acabo por apanhar um raspanete do presidente!... Isto é uma brincadeira de moços pequenos!»

Dois meses passados
Ainda não há resposta?

De acordo com o regimento da assembleia municipal, esta deve dar aos munícipes todos os esclarecimentos solicitados. Passados dois meses ainda não havia sido dada qualquer resposta ao munícipe. Contactado pelo sbras.blog Taveira, não quis adiantar muito acerca do assunto, limitando-se a confirmar que à data (12/04) ainda não tinha recebido qualquer resposta da assembleia, acrescentado que aguarda «serenamente» a resposta às suas questões confiante que as vai ter pois «existe mais que uma maneira de as obter».



Sem as explicações da edilidade, ou a fiscalização da Assembleia Municipal só resta aos são-brasenses esperar pelos próximos capítulos da mais recente saga da Câmara. Uma coisa é certa, tanta omissão só levanta mais suspeitas relativamente à condição em que o presidente da câmara acumula funções e à existência de incompatibilidade ou não para o fazer.

A gêrencia
SBA 15Abr07

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Os Silêncios e as Sombras

Como reflexos da nossa História

“Torna-se urgente, cada um de nós, rejeitar o medo. É necessário integrarmo-nos no ser social e na aventura cultural da época em que vivemos”

Ser solidário é estar com.
Ser democrata é ser livre.
Ser livre é ser responsável.

Viciar as regras do jogo ou consenti-las é, a contrário sensu, uma forma típica de manipulação, de favorecer ideários egocêntricos, dos quais, o homem inteligente se marginaliza.

É, então, que consciente do relativo, se reassume como uma dispersão coerente neste reino de vaidades pessoais, de jogos de poder sórdidos e mesquinhos, prevalecendo, em todas as atitudes e lugares, numa solidariedade ética entre “oficiais do mesmo ofício”.

As coisas, porém, quando envolvem o colectivo, não são, apenas, o que se vê e o que se deseja, porque todos os sistemas e imposições arbitrárias representam, para quem busca a verdade essencial, factores de perturbação ao livre pensamento e um obstáculo ao conhecimento humano.

Todavia, para quem busca a verdade essencial, um dos factores mais relevantes das histórias da nossa história, é o “entregar a carta a Garcia”.

Quando, face ao medo, de que somos herdeiros involuntários, não ousamos despi-lo e adoptamos atitudes de subserviência, mais não somos do que testemunhos vivos de um tempo de trevas. É necessário estirpá-lo, mesmo que o alimente a solidariedade dos organismos oficiais que à sombra do mesmo engordam.

Quando, neste universo conturbado e controverso, manipulável e manipulado por jogos de pseudo-poder, compromissos e compadrios, ousamos questionar

- quem entregou a carta a Garcia?-

Visionamos, ainda e apenas, como resposta, projectadas no écran do 25 de Abril de 2007, as sombras chinesas do silêncio e do medo.

São os ecos do nosso passado/presente, de algo muito profundo, traduzido em coisas, actos e factos, perecíveis no tempo e com o tempo, e, só quando compreendidos, apreendidos e sabidos, se apagarão, mas em vindouras gerações.

Somos uma geração de terra queimada que é imprescindível desmistificar e compreender, já que, compreender é saber.

E saber é ser
Solidário, livre, responsável, corajoso e sábio.

Saber não é mais
Do que o reflexo, consciente, duma história sem história, ou da nossa história ainda por fazer.

António C. Jacinto

29 abril 2007

Toponímia da Vila

A Câmara Municipal de São Brás de Alportel, juntamente com a Comissão Municipal de Toponímia, desenvolveu um plano para a toponímia da Vila.

Segundo a Câmara este plano pretende requalificar e uniformizar a sinalética toponímica, visando o ordenamento urbano, a harmonia com a arquitectura local e a dignificação das personalidades, que dão nome às ruas e espaços públicos; Atribuir nomes a novas artérias e espaços públicos da vila, valorizando personalidades cujo percurso de vida é merecedor desta homenagem e constitui uma referência para as futuras gerações; Valorizar a história local, dando a conhecer as personalidades que dão nome às ruas do concelho, mediante a publicação regular de notas sobre a toponímia da Vila e a edição futura de brochura informativa sobre a toponímia da vila;

Assim as novas designações já foram atribuídas. No âmbito deste Plano, foi aprovado em reunião de Câmara de 27 de Março, um novo mapa toponímico da Vila, que incorporou um conjunto de novas designações, para artérias e espaços públicos que se encontravam sem designação atribuída.

Avenida São Brás; Largo Bispo Gomes do Avelar; Parque da VilaParque Roberto Nobre; Pátio do Burguel ; Praça Carlos Porfírio; Praça da República; Praça Ibn Ammâr; Praceta da Balsa; Praceta do Acordeonista; Praceta Ouezzane; Praceta Poeta João Braz; Praceta Poeta José Vicente; Praceta Prof.ª Clotilde dos Santos Oliveira e Sousa; Praceta Prof.ª M.ª José Figueiredo Vaz; Praceta Rosa Passos Pinto; Rua Almirante Martins Guerreiro; Rua Aristides Sousa Mendes; Rua da Amendoeira; Rua do Sobreiro; Rua Dr. Alberto de Sousa; Rua Dr. Artur Alberto Peres Fialho; Rua Dr. João Dias; Rua Dr. Manuel Francisco Neves; Rua Estácio da Veiga; Rua Jaime Passos Pinto; Rua José Belchior Viegas; Rua Leite de Vasconcelos; Rua Lucília Sancho; Rua M.ª Bárbara Louro; Rua Manuel Viegas Jacinto; Rua Mariana Vilar; Rua Miguel Dias de Andrade; Rua Prof. Jorge Gouveia; Rua Rosalina de Passos; Rua Virgílio Passos; Rua Virgínia de Passos; Travessa António Aleixo; Travessa do Pirolito

Mapa Toponímico da Vila de São Brás de Alportel

28 abril 2007

Operação “Floresta Verde 2007”

Campanha de combate aos incêndios
vai começar com acções de sensibilização

Tendo em consideração que nos últimos anos o País foi fustigado por um elevado número de fogos florestais, que tiveram graves consequências no património ambiental e económico, e que a defesa da floresta é hoje um desígnio nacional, o ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, vai percorrer todos os distritos do País em sessões de apresentação do dispositivo operacional de cada um deles. No entanto, cabe à cidade de Albufeira ser a anfitriã da cerimónia inaugural em termos nacionais e também relativamente ao Distrito de Faro.

O anúncio oficial desta medida nacional vai ser feito no próximo dia 29 de Abril pelas 10:00 horas, através duma sessão de apresentação oficial em Albufeira, que contará com as presenças do ministro António Costa e do secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões.

De referir também, que esta campanha vai começar de imediato, cabendo à Guarda Nacional Republicana (GNR) missões em matéria de protecção e socorro, bem como no âmbito da vigilância e prevenção dos fogos florestais, sendo implementado no terreno já este mês o Dispositivo de Combate a Incêndios para este ano, nomeadamente pelo Grupo Territorial de Faro da GNR, que vai executar nas áreas do barrocal e serra dos concelhos de Faro, Loulé, Olhão, S. Brás de Alportel, Tavira, Castro Marim, Alcoutim e Vila Real de Stº António, uma operação de prevenção dos fogos florestais, promovendo a informação e a sensibilização para este problema, através do contacto directo com as populações, distribuindo brochuras de advertência às pessoas, autarquias, instituições e associações daquelas áreas.

Aquele Grupo Territorial da GNR estará no terreno com esta operação, no dia 30 de Abril (segunda-feira), no período das 14:00 às 20:00 horas.

in: Região Sul

Internet Hospital de Faro

Pediatria equipada com seis computadores portáteis

Seis computadores portáteis, com ligação à Internet, ontem instalados na pediatria do Hospital Distrital de Faro (HDF), vão ajudar a atenuar o sofrimento às cerca de 1.600 crianças que, anualmente, acorrem àquele serviço.

Carina Pedro, de nove anos, natural de São Brás de Alportel, internada no HDF há seis dias, foi das primeiras crianças a beneficiar desta iniciativa da Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação (FDTI).

“Isto é divertido e ajuda a passar o tempo”, confidenciou a jovem aluna do 4.º ano de escolaridade, observada por Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, enquanto trocava mensagens com Irene, de 14 anos, internada, no Hospital de Beja, uma das dez unidades que, nesta 1ª fase, vão beneficiar deste sistema.

“Este projecto, que tem a duração de dois anos, visa dotar as áreas de pediatria de infra-estruturas tecnológicas que permitam às crianças internadas momentos de lazer, encurtando distâncias com as respectivas famílias e amigos”, explicou ao CM, Ricardo Castanheira, presidente da FDTI.

Também os familiares das crianças internadas vão beneficiar do sistema, podendo, inclusivamente, os mais carenciados, levar um computador para casa.

«Carta da Terra»

Escolas algarvias dinamizam projecto

O projecto «Carta da Terra-Instrumento de Sustentabilidade» está a ser motivo de união entre as escolas que nele participam e a comunidade.

Alunos de quatro escolas do Algarve usaram a sua imaginação para sensibilizar os mais velhos para os problemas ambientais e sociais que afectam a sociedade.

A Escola EB 2,3 Bernardo de Passos, de São Brás de Alportel, acolheu, na passada semana, um fórum infanto-juvenil inserido no projecto «Carta da Terra-Instrumento de Sustentabilidade».

Esta escola, assim como a EB1 de Salir, foram as primeiras a participar neste programa, a nível nacional.

Esta é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (Aspea), aprovada e reconhecida pela UNESCO, lançada, enquanto projecto-piloto, no ano passado.

Hoje, são já quatro os estabelecimentos de ensino da região algarvia que participam neste projecto. Às duas escolas mencionadas, juntaram-se a Escola Secundária Belchior Viegas, de São Brás, e o Agrupamento da Escola Afonso III, de Faro. Também estas estiveram na passada semana no Fórum infanto-juvenil.

Nos seus trabalhos, tentaram espelhar alguns dos principais objectivos do projecto.

A «Carta da Terra-Instrumento de Sustentabilidade» pretende promover valores como o respeito à terra e aos seres humanos, a paz e a não-violência, a distribuição justa de recursos, a luta contra o racismo e a erradicação da pobreza e da miséria, para mencionar apenas alguns.

O fórum serviu para mostrar tudo aquilo que já foi feito, no âmbito do projecto, pelos alunos das escolas algarvias que nele participam. Ao todo, foram apresentados mais de 20 trabalhos.

Para fazer passar a mensagem, os alunos usaram desde as novas tecnologias, até à dança, passando pela escultura, poesia, pintura e música.

Uma metodologia que vem no seguimento de um programa que já há anos é promovido pela Direcção Regional da Educação do Algarve, o Programa Regional de Educação Ambiental pela Arte (PREAA).

O director regional de Educação considerou mesmo que os valores que o PREAA e o projecto «Carta da Terra» tentam transmitir devem fazer parte da formação de todos os cidadãos.

«Este é o maior contributo que pode ser dado pela escola para a valorização dos futuros profissionais, porque são competências genéricas que todos devem ter e que são as mais difíceis de adquirir», disse Libório Correia.


Directora da Escola Bernardo Passos
Violantina Hilário orgulhosa


A variedade dos trabalhos apresentados no Fórum Infanto-Juvenil deixa orgulhosa a professora Violentina Hilário, directora da escola Bernardo de Passos, que recebeu o fórum e esteve associada ao projecto «Carta da Terra» desde a primeira hora.

«Os alunos têm tido um empenho excepcional neste trabalho. Tem havido, também, muita dinâmica da parte dos professores, enquanto formadores e promotores da educação para a cidadania. Há ainda um aspecto muito interessante, que é uma enorme colaboração dos pais em todos os projectos que os miúdos têm desenvolvido», contou ao «barlavento».

Isto permite ter uma ideia do impacto de acções deste tipo na comunidade onde são realizadas, nomeadamente em São Brás, um meio mais pequeno.

«Nós acreditamos que os nossos alunos podem ter um papel importante na formação dos cidadãos em geral», afirmou Violentina Hilário.


Presidente da Câmara de S. Brás de Alportel
Dá opinião como Pai Sambrasense


Algo que parece ser confirmado por um pai que esteve presente no fórum.

O presidente da Câmara de São Brás de Alportel António Eusébio tem filhos em idade escolar, que estudam em escolas do concelho. Com um sorriso nos lábios, contou ao jornal como tem sido a sua experiência pessoal.

«Eles chamam-nos, de vez em quando, a atenção, embora eu cumpra o princípio da reciclagem e tenha uma atenção especial para a matéria ambiental. Mas são sempre eles os primeiros a dizer que já sabem fazer e que se deve fazer desta ou daquela forma», contou.

27 abril 2007

Motocross - Cortelha 2007

Apresentação do evento no Disco Bar Txilo


Cortelha volta a ser sinónimo de festa e de muita emoção naquela que é a mais carismática prova de motocross do circuito nacional.

O Kawasaki Motocross da Cortelha, já no próximo dia 1 de Maio, volta a reunir a elite do motocross nacional, numa prova que conta com a organização da experiente e dedicada Associação dos Amigos da Cortelha.

Para além das inigualáveis condições sempre proporcionadas pela organização, este ano fica marcado por diversas novidades que fazem desta prova a mais conceituada a nível nacional.

A festa de apresentação do evento, que vai ter lugar no dia 27 de Abril no Disco Bar Txilo, em São Brás de Alportel, é apenas uma das muitas novidades que a organização pretende oferecer aos amantes desta modalidade.

No entanto há também que destacar a oferta de 2 bebidas na compra de um bilhete para o Kawasaki Motocross da Cortelha e a existência no circuito de stands de exposição de concessionários de motos, que vêm abrilhantar e dar outra envolvência a este grandioso espectáculo.

Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve

Rede de Voluntariado de São Brás de Alportel colabora com Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve

O Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve (BACFA), o 12º na estrutura nacional, foi lançado no passado dia 1 de Março. No âmbito da sua acção, nos próximos dias 5 e 6 de Maio, o Banco Alimentar Contra a Fome no Algarve levará a cabo uma campanha de recolha de dádivas, a nível local, dando início ao desafio solidário desta associação.

Numa primeira fase da sua acção, a iniciativa centra-se em supermercados dos concelhos de Faro, Loulé, Albufeira, Silves, Lagoa, Portimão, Olhão, Tavira e São Brás de Alportel, sendo que até ao final do ano, alargar-se-á aos restantes concelhos algarvios.

26 abril 2007

Associação do Comércio e Serviços

ACRAL vai apoiar comerciantes de São Brás

A Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) e a Câmara de São Brás de Alportel assinaram um protocolo de cooperação para apoiar os comerciantes locais.

Em comunicado a Câmara anuncia que esta parceria surge da criação do Centro de Apoio à Comunidade de São Brás e permite facultar aos munícipes, todas as quintas-feiras, na segunda e quarta semana do mês, entre as 10 e 12 horas, o acesso a um serviço de apoio especializado, prestado por um técnico da ACRAL, nas áreas do comércio e serviços.

25 abril 2007

Comemorações


Comemorações do dia 25 de Abril começam às 10 horas, haverá a cerimónia de hastear da bandeira nos Paços do Município.

Á mesma hora o campo de futebol António Coelho será palco do tradicional desafio entre solteiros e casados, seguindo-se um almoço na sede do clube organizador do evento, o Grupo Desportivo e Cultural de Machados.

O tradiçional almoço comemorativo do 25 de Abril, do PCP local é ás 13 horas na Mesquita.

Ás 21.30 horas no Museu do Trajo, Palestra "A revolução dos Cravos em Portugal e as recções politicas na Alemanha e na Nato", por Georg Cabral.



Maria Odete Leonardo da Fonseca

um vulto da cultura algarvia


Maria Odete Leonardo da Fonseca, ou simplesmente Maria de Olhão, nome que utiliza em homenagem à sua terra natal, onde nasceu a 10 de Outubro de 1918, é um vulto da cultura e história do Algarve dos últimos 70 anos.

Descendente de uma antiga família de Olhão, Maria Odete frequentou a Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, onde se licenciou em Filologia Clássica – Curso de Especialização do Ensino a Deficientes Visuais.


Foi durante décadas professora em Lisboa, leccionando no Liceu Passos Manuel e em diferentes colégios particulares.
Transitou para o Quadro Técnico Superior do Ministério da Educação, onde permaneceu até à aposentação. Colocada na Divisão do Ensino Especial, da Direcção Geral do Ensino Secundário, desenvolveu diversas acções de metodologia e coordenação, participando e organizando inúmeras conferências, e cursos com o objectivo de permitir aos deficientes visuais o acesso ao ensino considerado normal.

Colaborou ainda com o Instituto de Deficiência Mental, assim como com a Associação de Pais de Deficientes Mentais, onde se destacou pelo esforço da reintegração social e solidariedade, de uma forma pioneira e criativa.

Colaboradora na revista feminista de Maria de Lamas, Maria Odete será uma lutadora inata, ao longo da sua vida, pelos direitos cívicos das mulheres marginalizadas.

Desde sempre ligada ao Algarve e à cultura algarvia, organizou, ainda no segundo ano da faculdade, um programa intitulado «Tarde Algarvia», que se tornaria num êxito, e um vaticínio para a sua participação na Casa do Algarve em Lisboa, anos mais tarde.

Em pleno Estado Novo, o seu nome impõe-se com grande distinção e respeito no mundo dos homens, facto raro e pouco admitido, ainda para mais sendo uma defensora das liberdades políticas.


Em Junho de 1948, volvidos escassos anos do ressurgimento da Casa do Algarve, Maria Odete proferiu, nesta instituição, um interessante discurso sobre «Povo de Olhão». Teve participação activa nas múltiplas actividades daquela casa regional, colaborando ao longo dos anos em diversas iniciativas de carácter convivial e cultural, sempre em prol do Algarve e dos olhanenses em particular.

Em 1954, colaborou na divulgação da figura de Bernardo de Passos, com o objectivo de angariar fundos para apoiar um movimento que pretendia erguer um busto a este poeta em São Brás de Alportel (monumento inaugurado a 15 de Setembro de 1957).

Em 22 de Abril de 1956, participou numa das maiores manifestações da Casa do Algarve realizada fora da sua sede, a romagem ao túmulo de São Gonçalo de Lagos, em Torres Vedras.


Ainda nos anos 50, sugeriu e participou nas comemorações dos 175 anos da criação do concelho de Olhão, celebrados com o patrocínio da Casa do Algarve, sendo promovida em Lisboa uma «Semana de Olhão».


Propôs mais tarde o enaltecimento de Lutgarda Guimarães de Caires, investigando e coligindo trabalhos seus. Irá recordá-la em 1961, em duas palestras distintas, primeiro em Lisboa e depois em Vila Real de Santo António, terra da homenageada. Palestras que irão culminar na inauguração de um busto a Lutgarda Caires, no centenário do seu nascimento, em 1973 na sua terra natal.


Maria de Olhão desenvolveu uma acção contínua e participativa ao longo de décadas, em todas as acções que a Casa do Algarve desenvolveu, seja ao nível de conferências, tertúlias, ou outras actividades.


Dotada de muita força crítica e sentido social, tem colaborado activamente na imprensa regional, ao longo dos anos, nomeadamente nos periódicos «Correio Olhanense», «Voz de Loulé», «Jornal do Algarve», entre muitos outros. Criou ainda boletins e jornais de parede, na área do ensino.


Em 1987, foi-lhe oferecida a placa comemorativa do XI Encontro dos Jornais Algarvios, realizado em Olhão.


Já em 2002, e por deferência da Câmara Municipal de Olhão, foi madrinha da réplica do caíque Bom Sucesso.


Maria Odete Leonardo é actualmente um dos últimos sobreviventes de quantos se empenharam na viabilidade da Casa do Algarve em Lisboa. Uma instituição que engrandeceu a região, graças aos algarvios que na capital tudo fizeram em prol do desenvolvimento do Algarve.


Maria de Olhão é, pois, indissociável da história daquela Casa, a partir da sua determinação e colaboração activa, constituindo hoje uma figura proeminente da nossa cultura, que merece uma homenagem do Algarve e de todos os algarvios.


Bibliografia:
Joaquim António Nunes, «Regionalismo Cultura e Turismo», Síntese Histórica da Casa do Algarve, Lisboa 1989.

Teodomiro Neto, «Maria de Olhão», JA Magazine, 29 Março 2001.
João Villares, «Quem é Quem em Olhão», Livraria Clinar, Olhão 2004.
Um agradecimento especial ao Dr. Teodomiro Neto e ao poeta Manuel Neto dos Santos.


Aurélio Nuno Cabrita*

*Investigador de história local e regional

24 abril 2007

280 velhas máquinas

juntaram-se em São Brás

Com ou sem matrícula, com ou sem documentos, com ou sem pintura, com 10 ou 60 anos (algumas arrefecidas ao abanar da mão pós dois kms a fundo) mais de 280 velhos ciclomotores roncaram este domingo em São Brás de Alportel.

Pelo quarto ano consecutivo, a manhã de 22 de Abril levou centenas de pessoas à Avenida da Liberdade para apreciar as velhas relíquias, naquele que foi mais um Encontro dos Amigos dos Velhos Ciclomotores.

Com organização a cargo do Grupo Desportivo e Cultural dos Machados, o evento não pretende propriamente fazer concorrência à Concentração Motard de Faro, mas a cada ano ganha mais adeptos.

O ano passado o encontro juntou cerca de 240 motociclos. Este ano contou com mais 40. E há quem já diga tratar-se do mais concorrido encontro do género em toda a Península Ibérica.

Depois de se juntarem na sede do clube pela manhã, nos Machados, os velhos 50 cc sobem 2,5 kms até ao centro da vila, onde alguns chegam já a deitar fumo, e por ali descansam para serem apreciados

Cerca de uma hora mais tarde arrancam para um pequeno passeio pelo concelho, voltam à sede e preparam-se para descansar por mais um ano, ou até á próxima concentração, enquanto os donos almoçam em convívio.

Gabriel Rosa, do Grupo Desportivo e Cultural dos Machados, diz que o encontro “é para continuar por muitos anos”, e que já em 2008 poderá ganhar outro ponto de interesse, que é uma feira de velharias.

“A ideia já está na forja. Os donos destas velhas «motoretas» nem sempre encontram a peça que faz falta”, justifica, pelo para o ano a organização está “a pensar promover uma feira de peças usadas paralelamente ao encontro”.

As concentrações destas velhas máquinas têm espalhado interesse por todo o lado. Além de São Brás acontecem noutras zonas da região. A próxima tem lugar dia 27 de Maio, em Alte, Loulé, 3ª edição, com organização do Grupo Desportivo Serrano.

João Vargues

Ibn Ammâr de São Brás a Silves

São Brás de Alportel assinalou o Dia Mundial do Património, desvendando os caminhos milenares de Ibn Ammâr, poeta maior do Al-Andaluz.

Neste âmbito, decorreu no passado dia 20, no Salão Nobre da Câmara Municipal, a sessão de lançamento do livro “A Viagem de Ibn Ammâr de São Brás a Silves”, obra de autoria de Abdallah Khawli, Luís Fraga da Silva e Maria Alice Fernandes.

Este estudo resultou de uma comunicação apresentada nas I Jornadas “As vias do Algarve – da época romana à actualidade”, que decorreram nos dias 21 e 22 de Abril do ano passado, por ocasião de mais uma edição das comemorações do Dia Mundial do Património.

São Brás dedicou, assim, o Dia Mundial do Património à história de uma viagem com mais de 1000 anos, que encerra a viagem da história de uma vida de uma das mais fascinantes figuras do al-Andaluz – Ibn Ammâr, o primeira grande poeta de São Brás de Alportel, conforme indicam os mais estudos que atestam que esta terá sido a sua terra natal.

A Viagem de Ibn Ammâr de São Brás de Alportel a Silves, conjuga três perspectivas distintas sobre o cenário em que esta terá ocorrido, apresentando uma análise histórica, toponímica e geográfica, que transporta para os dias de hoje os passos do jovem Ibn Ammâr por terras do al-Andaluz.

O relato desta viagem transporta o leitor no tempo por caminhos milenares, num percurso feito pelo poeta, desde a antiga Xanbras (actual São Brás de Alportel) e Xilb (actual Silves e antiga capital do Algarve).

Passo a passo, nesta longa jornada, dá-se a conhecer este jovem de apenas 10 anos que ao longo da sua vida de glória e de infortúnio, escreveu um percurso de vida digno das histórias das Mil e Uma Noites.

Na cerimónia de lançamento do livro, Cristina Tété Garcia fez a apresentação da obra.

23 abril 2007

Museu do Trajo

Festival Shakespeare

Apresentação de Peter Booker “Shakespeare’s Kings” / Exibição de filmes / Espectáculo de Marionetas / “Pyramus e Thisbe” / Cenas de Shakespeare

Hoje das 10h00 às 22h00 no Museu do Trajo
Mais uma organização do Grupo de Amigos do Museu de S. Brás de Alportel

Desafios Pilotos & Máquinas


GDC Machados vence em karting

No Kartódromo de Almancil teve lugar, no pretérito domingo, a primeira prova de karting do Clube Amizade/Desafios Pilotos & Máquinas, cuja vitória sorriu aos pilotos André Lourenço e Diogo Gago do GDC Machados. No que diz respeito à competição feminina, a dupla da MTZ Fashion Cars (Dina Santos/Marisa Neves) dominou de fio a pavio.

Partindo bem, tanto na 1.ª como na 2.ª manga de corrida, o resultado espelha a supremacia evidenciada pelos dois jovens representantes do Grupo Desportivo e Cultural dos Machados. Diogo Gago que deixou o 2.º classificado, José Gonçalves a quase 7 segundos, enquanto que André Lourenço ganhou ainda mais vantagem, quase 20 segundos, a Milton Reis que foi o 2.º classificado na derradeira manga e contribuiu para que a MTZ Fashion Cars terminasse a prova no degrau mais baixo do pódio.

No 2.º lugar do pódio terminou a equipa Amaral e Oliveira Joalheiros, um resultado que pode dizer-se foi fruto da regularidade e relegou para trás equipas que cometeram alguns erros ou porque as coisas não correram de feição, aliás, como em tudo na vida, também nos desportos motorizados acontecem alguns imprevistos. José Costa terminou a 1.ª manga no 3.º lugar atrás de Milton Reis, e Gustavo Ribeiro concluiu a sua manga na 4.ª posição, atrás de Sérgio Sousa, 3.º e de José Gonçalves que foi 2.º.

No que diz respeito à competição feminina, a dupla da MTZ Fashion Cars (Dina Santos / Marisa Neves) dominou de fio a pavio. Luta renhida existiu entre as outras duas equipas em competição, cujo 2.º lugar foi garantido pela Adrijor II (Susana Brás / Ana Santos) relegando para o derradeiro lugar do pódio a equipa The Fly (Lilia Amado / Maria João Nascimento).

Saliente-se que, as grelhas de partida do Clube Amizade / Desafio Pilotos & Máquinas / Mymoto, foram patrocinadas pelo Korpus Gentlemans Club, que colocou na pista 12 beldades femininas, dando assim um visual inédito ao Kartódromo de Almancil.

Apesar de terem que ser limadas algumas arestas em termos de programação e não só, a primeira prova de Karting do Clube Amizade/Desafio Pilotos & Máquinas/Mymoto foi do agrado de todos. Contudo, a organização critica “o comportamento de alguns participantes, que em nada abona a prática do karting em particular e dos desportos motorizados em geral, muito por culpa dos próprios não lerem os regulamentos e do que foi dito no briefing entrar por um ouvido e sair pelo outro”, por isso, os irresponsáveis pelas provas, esperam “que na próxima prova, que se realiza dia 3 de Junho no Kartódromo de Almancil, tudo decorra com a normalidade e dignidade que se pretende”.

Classificação do Desafio após a 1.ª Prova

1.º GRUPO D. C. DOS MACHADOS - André Lourenço / Diogo Gago – 20 pontos
2.º AMARAL & OLIVEIRA JOALHEIROS – José Costa / Gustavo Ribeiro – 17
3.º MTZ FASHION CARS – Milton Reis / João Pedro Santos – 15
4.º FIAAL - JAGUAR / LAND ROVER – Luís Assunção / António Pinheiro – 14
5.º SULKART TEAM – Billy Wanner / Patrícia Galvão – 13
6.º KORPUS GENTLEMANS CLUB – Filipe Quirino / Sérgio Sousa – 12
7.º GUERREIRO E GONÇALVES- Nelson Guerreiro / José Gonçalves - - 11
8.º GULA GULA – Marco Santos / Wild Net – 10
9.º PÉ DE VENTO SPORT CLUBE – Mário Sousa / António Monteiro – 9
10.º PNEUS COSTA / MULTICÓPIAS – Vladimiro Sousa / Carlos Costa – 8

22 abril 2007

ASORGAL elege Autarca do Ano

Presidente da Câmara de Albufeira Desidério Silva é Autarca Algarvio do Ano 2006

O Presidente da Câmara Municipal de Albufeira foi distinguido pela ASORGAL- Associação dos Órgãos da Comunicação Social do Algarve – com o título de “Autarca Algarvio do Ano 2006”.

Trata-se da primeira vez que esta distinção é atribuída por esta Associação que pretende, através desta iniciativa, reconhecer aqueles que, nos lugares públicos, trabalham em prol do Desenvolvimento Local.

A ASORGAL esclareceu que “a votação decorreu nos últimos meses e juntou opiniões regionais de algumas das cerca de 80 votações distribuídas entre jornalistas e líderes de opinião regionais previamente convidados , cujos resultados finais foram devidamente conferidos por uma comissão nomeada para o efeito”.

Desidério Silva foi o nome que reuniu maior número de votações de entre todos os autarcas da região, enquanto o Dr. José Estevens e Manuel de Jesus Marreiros , presidentes das Câmaras Municipais de Castro Marim e Aljezur respectivamente , obtiveram o 2º e 3º lugares. A Comissão de honra deste prémio inclui diversas personalidades da região, entre os quais se encontram, entre outros , o Governador Civil de Faro e o Reitor da Universidade do Algarve.

Desidério Silva quando tomou conhecimento da nomeação referiu que “se sente honrado com esta distinção, até porque é a primeira vez que é instituída e porque resultou de uma votação feita por personalidades independentes. Salientando o facto de que “o melhor prémio é resolver no dia-a-dia os problemas das pessoas e lançar novos desafios para o futuro”, o autarca concluiu que “numa época em que os autarcas , apesar do muito bom que realizam, são muitas vezes reconhecidos apenas pelas piores razões, é importante que estes reconhecimentos aconteçam e que valorizem aqueles que dão a cara pelas pessoas e pelas suas aspirações”.

O prémio de “Autarca Algarvio do Ano 2006” foi entregue a Desidério Silva no passado dia 14 de Abril em cerimónia que teve lugar no Hotel Alpinus-Pinhal do Concelho –Açoteias no concelho de Albufeira onde marcou presença a imprensa e entidades oficiais da região.

Sociedade 1.º Janeiro - Esclarecimento

«Em prol da verdade relativamente aos subsídios para o futebol»

a Direcção da Sociedade 1.º de Janeiro publicou no Jornal “Noticias de S.Braz” um breve esclarecimento que reproduzimos na íntegra.

Sociedade Apresenta Contas

«Para que todos os sambrasenses tenham conhecimento da carolice que se desenvolve na Sociedade Recreativa 1.º de Janeiro apresentamos quadro demonstrativo da realidade desta colectividade.»

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Subsídio atribuído à Sociedade 1.º Janeiro – 2007

- Câmara Municipal - 21.262.,50€

-Torneio - 1.250,00€

- Viaturas - 1.000,00€

- Junta de Freguesia – 7.000,00€

Total....................30.512,50€


Despesas da Sociedade 1.º Janeiro – 2006

- AFA – 2.250,00€

- Alimentação – 6.702,91€

- Assist. Médica - 1.988,55€

- Combustíveis - 4.020,30€

- Sede - 6.851,43€

- Electricidade - 1.660,73€

- Torneio - 2.250,00€

- Pessoal - 6.065,00€

- Marcação Campo - 1.163,00€

- Material Desportivo - 10.555,62€

- Oficina - 2.959,65€

- Seguros - 827,85€

- Outros - 980,00€

Total………………………… 48.275,04€

Saldo – (48.275,04€ - 30.512,50€) = Saldo Negativo

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«O trabalho desenvolvido em prol dos jovens do nosso concelho exige uma grande capacidade de gestão para fazer face às despesas correntes deste clube, sempre superiores aos subsídios atribuídos pelas entidades locais, o que nos leva a obter receitas com muito trabalho e dedicação, onde se destaca o apoio financeiro e pessoal dos pais dos atletas assim como de todas as empresas sambrasenses que se tem demonstrado disponíveis aos nossos apelos.»…

1.º Janeiro desafia a União Sambrasense?

…«Têm-se verificado algumas intenções pessoais e colectivas em fazer passar uma imagem que não é real, apelamos aos mesmos que em momento oportuno tenham o bom senso de apresentar aos sambrasenses as vossas realidades, visto terem sido publicados artigos na imprensa local que não correspondem à verdade.

Os subsídios atribuídos à UDR Sambrasense são de 30.000€ da Câmara e de 12.000€ da Junta de Freguesia. Sendo esta a realidade dos factos ficamos nós e os sambrasenses tentados a perguntar a razão pela qual estão a omitir a verdade em relação aos valores recebidos???»…

1.º Janeiro acusa União Sambrasense
De prejudicar a formação de jogadores no concelho

…«Relativamente aos atletas que terminaram a sua actividade desportiva na Sociedade 1.º Janeiro (Juvenis) informamos que na época 2004/05 transitaram para o escalão júnior, conforme sempre ocorreu, 10 atletas que seriam de segundo ano, e na época de 2005/06 transitaram 13 atletas.

Para quem sabe fazer contas dá um numero de 23 jogadores, que daria perfeitamente para formar uma equipa, o que resumindo a UDRS acabou com o escalão (juniores) por opção própria e não por falta de atletas como fez transparecer aos sambrasenses, prejudicando a formação deste concelho. Neste momento desses mesmos atletas que transitaram para juniores e os do segundo ano estarão 4 ou 5 no plantel sénior.»…

1.º Janeiro pede que não se critique
actuação da Autarquia

…«Para terminar a Direcção da Sociedade Recreativa 1.º de Janeiro, lembra que é devido aos subsídios atribuídos às Associações que as mesmas sobrevivem.

Não nos podemos esquecer que as colectividades dependem da ajuda das autoridades locais, daí que deveríamos ser comedidos com as afirmações proferidas.»

Assina: A Direcção da Sociedade Recreativa 1.º de Janeiro.


21 abril 2007

Jorge Varanda em Entrevista


Jorge Varanda, director geral do Centro de Medicina e Reabilitação do Sul



“Já poderíamos ter este tipo de centros há 30 anos”

Situado em São Brás de Alportel, o Centro de Medicina e Reabilitação do Sul recebeu esta semana o primeiro paciente. O director-geral, Jorge Varanda, garante que será impressa uma nova dinâmica à gestão das camas, através de um treino intensivo dos doentes

Na sua opinião, a reabilitação foi esquecida pelos sucessivos governos em Portugal?

Jorge Varanda (JV) – Sim. Há medida que se avança na construção destes centros, aprendemos como poderemos fazer as coisas. Faltou a sua estruturação. Depois de Alcoitão, só se realizou o Centro da Tocha. Desde os anos 60 que existiam instrumentos de planeamento. Alguns hospitais foram criando os seus serviços e colmatando as falhas. Ninguém viu os custos sociais e económicos de ter pessoas que poderiam ter atingido um nível de recuperação funcional mais elevado e que não o atingiram. Se se tivesse seguido um modelo de documento que já vi há alguns anos, já poderíamos ter este tipo de centros há uns 30 anos.

Iniciaram a vossa actividade a 6 de Abril. Como está a correr esta fase inicial?

JV – Este é um centro especial, uma vez que os pacientes não são enviados a um ritmo de um hospital de agudos, mas a um ritmo de um centro especializado em reabilitação. Felizmente, não temos muitos doentes e os casos indicados para aqui são os mais graves. No início desta semana entrou o primeiro doente, que foi encaminhado pelo Centro Hospitalar do Baixo Alentejo.

Este foi um processo iniciado em 1999. Foi difícil chegar até este ponto?

JV – Houve muito esforço e muitas pessoas a trabalhar até chegar a este ponto, quer do lado do Ministério, quer do lado do Grupo Português de Saúde. Este era um «sonho» do Algarve e conseguiu-se levar a bom porto este projecto inovador. No mês do Julho estaremos a meio do preenchimento das camas, sendo que abriremos a segunda parte do internamento. Nessa altura, já estaremos numa velocidade cruzeiro.

Qual a importância deste centro na zona Sul do País?

JV – Até há pouco tempo existia apenas um centro desta natureza no País, em Alcoitão, como centro especializado para este tipo de tratamento. Seguiu-se o Centro da Tocha, para a região Centro, agora o de S. Brás de Alportel para o Baixo Alentejo e Algarve, e prevê-se no futuro um centro para a Região Norte, que é a única zona que falta cobrir. Esta evolução constitui a efectivação, ao nível dos centros especializados, da Rede de Medicina de Reabilitação. São Brás foi o local escolhido tendo em conta a existência das instalações do antigo Sanatório Vasconcelos Porto, o qual deixou uma marca histórica indelével na região, pela proximidade de Faro e futuro acesso à A22. De acordo com a Direcção-geral de Saúde, a existência de camas de internamento especializadas em cuidados intensos de reabilitação é imprescindível. O Centro de Reabilitação de S. Brás (CMRS) é uma unidade hospitalar especializada, de 54 camas de internamento, hospital de dia e ambulatório, gerida em regime de parceria público-privada pelo Grupo Português de Saúde – o segundo maior grupo privado do País – através de um contrato com o Estado português.

Quais os objectivos do CMRS?

JV – A missão do centro é prestar, na sua área de influência, cuidados diferenciados de reabilitação a pessoas portadoras de grande limitação funcional em regime de internamento com carácter intensivo, cumprindo padrões de excelência com vista à maximização do potencial de reabilitação de cada doente e ao pleno exercício da cidadania. O centro tem funções apropriadas de ensino e de investigação. A curto prazo pretendemos dar resposta completa à procura pública do Serviço Nacional de Saúde e aos 15 por cento que nos é atribuído para a rede privada. Um segundo objectivo é a inovação e melhoria contínua dos processos de trabalho e da tecnologia.

Que tipos de tratamentos vão efectuar?

JV – O novo CMRS destina- se prioritariamente ao tratamento de doentes em regime de internamento em três grandes áreas prioritárias: lesões medulares, traumatismos crânio-encefálicos e acidentes vasculares cerebrais. Há outro tipo de situações, nomeadamente na área neurológica, que só serão tratadas se houver lugar para isso. A organização e gestão do centro vai focar toda a sua actividade nas pessoas que vai servir e nas suas necessidades específicas, proporcionando as melhores condições para desenvolver o seu potencial de reabilitação, com vista à obtenção do maior grau de autonomia, independência e funcionalidade. Cada pessoa tratada será acompanhada desde a sua admissão à transição para o domicílio, vida familiar e profissional, fazendo o seguimento posterior necessário à situação clínica de cada um.

Esse tratamento será efectuado de uma forma intensiva, tal como acontece na Tocha?

JV – O regime de tratamento será intensivo, baseado em equipas interdisciplinares, com disponibilidade terapêutica das 9 às 20 horas em ginásio e com serviços médicos e de enfermagem em permanência. A organização terapêutica inclui a fisioterapia, a hidroterapia, a terapia ocupacional, a terapia da fala e apoios especializados de neurofisiologia, urodinâmica, provas respiratória, imagiologia, psicologia e serviço social. Além dos médicos fisiatras, a equipa inclui um médico internista permanente e médicos especialistas consultores de urologia, psiquiatria, neurologia, ortopedia e outras especialidades que forem necessárias. O planeamento do centro não inclui nesta fase um sector pediátrico.

“É preciso muito treino para atingir resultados”

Na sua opinião, a capacidade instalada é suficiente para dar resposta a todos os casos existentes na região?

JV – Não posso dar-lhe uma resposta peremptória sobre isso, porque de acordo com um número de camas previsto para este centro há uma pequena diferença. Em termos de necessidade foram calculadas 80 camas, mas o centro vai dispor de 54 camas de internamento. Há alguns elementos novos que se prendem com a capacidade da nossa acção, uma vez que devemos ter em atenção a dinâmica que vamos colocar na gestão das camas e, também, porque através do contrato estamos obrigados a fazer um estudo da procura deste tipo de casos.

Que dinâmica pretende imprimir na gestão de camas?

JV – Esse é um aspecto que respeita à área clínica, mas o modelo consiste num treino intensivo dos doentes, para poder atingir o máximo de capacidade de reabilitação. Uma imagem que pode ser utilizada para perceber o que se vai fazer é o treino dos atletas de alta competição. É com muito treino que se chega aos resultados. Podemos chegar mais longe e mais cedo do que desejaríamos, podendo a capacidade das camas ser assim aumentada. Em média, um doente é pressuposto passar 90 dias em internamento.

Como se vai processar a articulação entre o público e o privado?

JV – Este é um centro público, embora seja gerido por uma entidade privada. O CMRS tem protocolos estabelecidos com o Hospital Distrital de Faro, Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio e Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, onde estão estabelecidas regras de referenciação de doentes para este centro. Essas regras estabelecem a forma como os doentes são encaminhados para este centro e as condições que têm de preencher.

Nesta fase inicial, quantos técnicos estão a trabalhar no CMRS?

JV – Neste momento, já temos os sectores da área administrativa a funcionar em pleno. Temos um quadro de 60 pessoas na fase inicial, mas mais tarde teremos 116 pessoas a trabalhar.


in: Algarve

Tradição e Inovação Alimentar

Maria Manuel Valagão lançou Livro Tradição e Inovação Alimentar


No passado dia 21 de Março foi lançado na Escola de Hotelaria e Turismo o livro organizado por Maria Manuel Valagão Tradição e Inovação Alimentar - dos recursos silvestres aos itinerários turísticos.

O Livro que foi o resultado de um projecto de Desenvolvimento Experimental e de Demonstração que decorreu no concelho de Alcácer do Sal, é segundo a organizadora um livro sobre a inovação das tradições alimentares, com base numa abordagem integrada de identificação e de reconhecimento da importância do património natural e cultural. Foram valorizadas as componentes relativas à flora local, aos recursos micológicos silvestres , aos recursos alimentares, culturais e identitários , ao saber fazer culinário e ao valor cénico da paisagem.

O processo de transformação alimentar ensaiado foi o da secagem . Os produtos sobre os quais se desenvolveu a vertente de experimentação e demonstração foram o “tomate seco”, as “ervas aromáticas condimentares” e os “cogumelos silvestres secos”. Estes produtos cujas especificidades nutricionais e gastronómicas se adaptam às novas necessidades dos consumidores urbanos (propondo soluções agradáveis e fáceis para o seu quotidiano alimentar ) detêm , simultaneamente um alto valor acrescentado o que lhes confere um sentido de oportunidade para potenciais iniciativas empresariais. Na sua essência , estas adaptações à modernidade, não são mais do que a reintegração das tradições e representam , em si, verdadeiras fórmulas criativas para rentabilizar pequenas indústrias artesanais, podendo proporcionar rendimentos complementares interessantes. Este livro pretende ensinar a fazer e ser um contributo para o suporte ao aumento da oferta de futuras iniciativas empresariais de pequena dimensão e à diversificação das actividades económicas locais.

O livro apresentado pela prof. Carla Sousa, ESGHT, Universidade do Algarve e por F.M. Palma Dias gestor da Companhia das Culturas terminou com a autora e organizadora Maria Manuel Valagão rodeada de muitas entidades, admiradores, familiares e amigos a afirmar, que para além do valor nutricional deste livro conta também o valor emocional.

Editado em Outubro do ano passado chegou-nos agora esta pequena enciclopédia que foi feita a partir de observações e experimentações no espaço limitado, mas muito rico em memórias e práticas da Companhia Agrícola da Barrosinha. Parabéns Maria Manuel Valagão.

in Notícias de S. Braz