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03 junho 2007

VI Encontro de Poetas e Palavras


O Grupo Desportivo e Cultural de Machados promove no próximo domingo, dia 03, a sexta edição do «Encontro de Poetas e Palavras», uma iniciativa para «fomentar o convívio entre poetas e quem partilha o gosto pela poesia popular»

O encontro decorre a partir das 15:30 horas na sede do Grupo Desportivo e Cultural de Machados, no sítio de Machados. Este ano o tema é “Terra de Poesia”.

Realizados desde 2002, estes encontros pretendem ser um espaço de partilha e agradável convívio, dando lugar a todos os que comungam do amor pela poesia e do "enamoramento" pelas palavras, com que se tecem os versos, lembrando os poetas do passado e dando lugar àqueles que no presente são os seus seguidores - refere a organização.

17 maio 2007

Festa dos Tabuleiros Floridos

Decorreu no passado fim-de-semana, dias 12 e 13 de Maio, mais uma edição da tradicional Festa dos Tabuleiros Floridos, que ano após ano se realiza no pitoresco sítio de Parises, em plena Serra do Caldeirão, em honra de Nossa Senhora de Fátima.

Na tarde de sábado, um grupo de peregrinos são-brasenses rumaram, desde a vila de São Brás de Alportel até ao sítio de Parises, com a Capela de Nossa Senhora de Fátima por destino, num percurso de fé e paz interior, que só a tranquilidade da Serra do Caldeirão pode transmitir.

Após 18 km por entre vales e colinas, os caminhantes chegaram aos Parises, para alguns momentos meditação, ao que se seguiu a tradicional Procissão das Velas, em honra de Nossa Senhora de Fátima, um ponto de encontro, na vigília do dia 13 de Maio.

Na escuridão da noite, o percurso da procissão emerge iluminado por pequenas velas que conduzem à capela de nossa Senhora de Fátima. Aos fiéis da terra juntam-se crentes de outras localidades vizinhas, amigos e familiares, numa noite que ano após ano se repete, plena de emoção.

No domingo, a eucaristia, pelas 16h00, marca o início de mais um dia festivo. A partir das 17h00, o Grupo “Inovação” convidou a um pezinho de dança que se fez acompanhar pela tradicional sardinha assada, à discrição, que é dia de festa, onde todos são convidados a participar, como manda a tradição hospitaleira das gentes da Serra.

Durante o convívio musical, foram ainda leiloados vários tabuleiros recheados de petiscos serranos, especialmente enfeitados para a festa. Por fim, a actuação do Grupo Etnográfico da União Desportiva e Recreativa Sambrasense encerrou a programação com danças e cantares tradicionais portugueses.

A Festa dos Tabuleiros Floridos é uma organização da Associação “Os Amigos da Serra de S. Brás” que este ano tem por objectivo angariar fundos para a manutenção da capela dos Parises.

GIDI CMSBA

04 maio 2007

Os Maios


Um pouco por todo o Algarve, o primeiro de Maio é celebrado com a degustação de caracóis em piqueniques na praia ou campo e com a saída à rua de uma peculiar tribo algarvia feita de trapos chamada de "Maios".

Os Maios são na realidade bonecos do tamanho de gente e feitos de palha de centeio, trapos, jornais, almofadas ou roupa velha e que são colocados pelos criadores (população algarvia) nas açoteias, janelas e à beira da estrada para celebrar o 1º de Maio e a chegada da Primavera.

Os Maios estão atentos à realidade nos nossos dias e todos os 1ºs de Maio vêm para a rua denunciar as más políticas vigentes no país ou simplesmente sentarem-se debaixo de uma sombra com o objectivo de celebrar o Dia Internacional do trabalhador sem fazer nenhum.

Um dos Maios encheu-se de coragem e resolveu mascarar-se de primeiro-ministro, José Sócrates, com um traje universitário e na lapela uma etiqueta a dizer: "Engenheiro Sogrates, engenheiro das Obras Feitas".

O cartaz ao lado do Maio mascarado de Sócrates, feito pelo seu criador, Miguel Marcelino, 12 anos, revelava ainda um poema onde se podia ler: "Para seres engenheiro/ não tens muito que estudar/basta teres muito dinheiro/ ou o povo em ti votar".

Como em todas as sociedades, também na tribo dos Maios há várias classes: uns são os satíricos, outros são mais mandriões e preferem fazer piqueniques à borda da estrada e mostrar o que se come no Algarve por estes dias, como as nêsperas, amoras, morangos e claro muitos caracóis e caracoletas.

Há ainda aqueles Maios que preferem fazer ciclismo, ir a funerais onde o morto ainda vai vivo ou celebrar casamentos à moda antiga.

Entre os Maios há também minorias que preferem fazer a apologia da defesa do Ambiente e apelam, com cartazes, à reciclagem vestindo-se com garrafas e garrafões de água, colocando no cabelo as carapaças ocas dos caracóis.

Perto da localidade da Fuzeta (Olhão), estava ainda um pequeno Maio, com um grande sentido cívico, a pedir aos donos dos animais para apanharem as fezes da via pública e um outro, mais gorducho a demonstrar que a comida rápida e com elevados níveis de gordura faz mal à saúde.

Os Maios, primos afastados dos fantoches e espantalhos, sempre encantaram a população algarvia e do resto de Portugal, e muitos enfrentam longas filas no trânsito na EN 125 só para verem os bonecos e recolher ensinamentos ou tirar uma fotografia com aquelas "celebridades".

Sou do Alentejo e há cinco anos que venho ver os Maios. É uma ocupação das pessoas que vem de antigamente e vale a pena vir recordar como elas se vestiam", disse à Lusa Ana Paula Marques, 42 anos.

Uma das criadoras dos Maios, Sandra Sousa, 20 anos, afirma que este ano se esmerou para dar vida aos seus bonecos, comprando luvas de látex para dar forma às mãos com ar e unhas falsas para conseguir dar um ar chique à senhora Maio no piquenique dos caracóis. Com um carácter pagão, antigamente as festas de Maio duravam três dias. Hoje reduziu-se a celebração da Primavera para um dia, e há cada vez menos exemplares de Maios espalhados pelas janelas e telhados do Algarve, passando a ser mais uma forma dos negócios de estrada conseguirem vender mais petiscos e bebidas.

02 maio 2007

Procissão Aleluia 2007

Aqui fica um "cheirinho" da Procissão de Aleluia de S. Brás para o resto do mundo. Os videos uma gentileza do José Neves de Gorjões-Faro.



Video 1 - Ruas Floridas



Video 2 - A procissão




Nove horas em ponto. Lá no alto, os foguetes matinais rebentam barulhentos, anunciando a chegada de mais um dia de festa. Nas ruas, o reboliço habitual de quem ultima os últimos pormenores. Os tapetes de flores rasgam as artérias, embelezando-as, perfumando-as, dando-lhes vida. Sobre o verde, uma paleta enorme de cores, formas e tamanhos. Predominam as flores campestres. No ar evidencia-se o cheiro do alecrim, do funcho e do rosmaninho. Nas varandas e janelas, debruçam-se colchas. A azáfama nota-se no rosto de quem trabalha para levar a cabo o maior e mais mediático evento da terra. Os sorrisos e o contentamento espelham-se no rosto daqueles que elegeram a vila para passar e passear neste dia. É domingo de Páscoa.
A caminho da igreja Matriz os homens caminham orgulhosos empunhando as tochas floridas. A outrora conhecida festa do Aleluia, rendeu-se às evidências do marketing e deu lugar à festa das tochas floridas. Na procissão participam apenas os homens, devidamente apetrechados das tochas multicolores. Ao despique entoam o emblemático cântico que se faz ouvir ao longo do seu percurso – “Ressuscitou como disse?” ao qual respondem em uníssono - “Aleluia! Aleluia! Aleluia!”. Além do cântico, das tochas e das flores, a secular procissão do Aleluia é igualmente conhecida pela aguardente de medronho, fiel companheira daqueles que nela desfilam e cujas gargantas se ressentem com o sonoro grito. Nesta procissão não há imagens religiosas, mas medronho, são litros e litros. Estas peculiares características já fazem desta festa um dos principais cartazes turísticos do Algarve em época baixa. Nas ruas, os visitantes são aos milhares. Cada vez mais.
Ao entardecer, a vila entra novamente na calma e na pacatez. Os tapetes estão desmanchados, trabalho intenso de dias e dias a colher plantas e flores, horas de dedicação na construção para escassas 3 ou 4 horas de fulgor. Mas também é essa a magia da festa, a efemeridade. Todo o impacto visual, odorífero e sonoro da festa perpetuar-se-á seguramente naqueles que a presenciaram. Religiosa ou pagã? Sagrada ou profana? Não interessa! É Páscoa em São Brás de Alportel, cumpra-se a tradição!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

in: Calcanhar de Aquiles