13 dezembro 2006

Parques Industriais

As autarquias giram ao som de modas.

Nos anos 70-80, a coqueluche era uma autarquia fazer um parque industrial. Com empresas ou sem empresas, compraram-se terrenos e fizeram-se algumas infra-estruturas básicas. Mas nunca tiveram estratégias nem serviços de apoio e nunca souberam muito bem o que lá queriam meter dentro daqueles terrenos. O tema foi assunto para campanhas autárquicas inflamadas e rendeu votos. Depois veio a febre psicadélica das rotundas e dos parques empresariais. Para todos gostos e bolsas. É orgulho municipal ter uma rotunda “à maneira”. Agora, a nova “wave”dirige-se para os parques de ciência e tecnologia e, em breve teremos um em qualquer aldeola. O mais difícil é sacar uns euros antes que a fonte europeia seque.


Padre Cunha
Em: VilAdentro, Dezembro 2006

5 comentários:

Anónimo disse...

Um parque industrial é fundamental numa cidade ou vila.
Vejamos porquê.
As actividades económicas dividem-se em agricultura, indústria, comércio e serviços.
Todos sabemos em que estado se encontra a nossa agricultura mas até nem é mau que isso se verifique se as pessoas que nelam trabalhavam passarem para sectores mais rentáveis.
Comércio temos o suficiente, por vezes até em excesso (quantos cafés e/ou restaurantes não temos a mais??). Talvez haja lugar para uma nova média superfície.
Serviços temos aqueles que temos capacidade de fornecer (que são muito poucos!!) atendendo ao nível de educação dos portugueses em geral e dos sambrasenses em particular.
Quanto à indústria temos a da cortiça, a pouca da alfarroba ( 2 unidades de trituração uma das quais só funciona uns dias do ano para "regularizar" o mercado.....), as metalomecânicas ligeiras, as das madeiras e algumas pequenas indústrias transformadoras quase "caseiras" (doçaria, licores, etc.).
Haveria todo o interesse nesta terra em:
- delimitar a localização de todas as indústrias a um parque, quer para os empresários ( um parque possui outras condições mais condignas do séc. XXI na Europa, quer para os munícipes (desvio de tráfego pesado e consequente ruído das zonas urbanas, etc.);
- esse parque poderia conter ainda pequenas oficinas de reparação (de automóveis, de materia electrónico, etc.);
- atrair para o parque novas indústrias (algumas de tipos já existentes e, sobretudo, novas indústrias com reduzido/ controlado impacto ambiental);
- esse parque poderia, mesmo, abarcar algumas zonas comerciais de média dimensão.

-->judas<-- disse...

Ai, ai o senhor prior!
Anda, anda e ainda fica sem o subsidio para apublicação do jornal, para não andar aí a apedrejar a autarquia!

-->judas<--

Anónimo disse...

Que as autarquias giram ao som das modas, não penso assim, agora que giram em torno do objectivo das próximas eleições, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas.
Antes não era só para as próximas eleições, era para os 3 mandatos com o objectivo da reforma vitálícia...

Deixando de conversa.
Todos nós sabemos que o parque indústrial sempre foi uma prioridade sem qualquer dúvida.
S. Brás, centro corticeiro, com a indústria completamente obsoleta e devoluta, salvo excepções, vive actualmente apenas como local de descanso e de passeio para a maioria dos que cá vivem e neste momento sem qualquer polo de atracção. Temos o museu, a pousada e às vezes a fonte férrea!

São inúmeros os bons exemplos de parques bem sucedidos que estão espalhados pelo país fora. São zonas cuja utilização está destinada apenas à instalação de naves indústriais - armazéns, representações, oficinas, empresas e não só fábricas! - ordenadas, com potencia de electricidade instalada suficiente, com bons acessos para camiões, com bom fornecimento de água, serviço de esgotos capaz, terrenos a preços compatíveis e onde o empresários apenas podem construir as suas instalações e não as suas vivendas, etc, etc,etc, enfim trata-se de investimento! (palavra muito em moda, agora já todos somos investidores).
Mas não! O que é que temos?
Temos um sítio onde está autorizada a construção indústrial, onde por razões ponderosas se podia construir uma casa, temos uma estradinha assim assim, uns esgotositos feitos à pouco tempo, temos uma fábrica de cortiça encostada à outra e outra lá perdida no meio do nada lá quase no Peral, uma central de betão queaté à pouco tempo não tinha esgotos, um café que já lá estava, terrenos a um preço que faz mudar de idei... de concelho, quem lá queira instalar a sua actividade! E depois a malta queixa-se que em S.brás não há nada!
É fundamental que se ponha isso a mexer.
Basta de tempo perdido!
Deixem-se dessas tretas dos polos tecnológicos e de ciência!
P'ra que serve um polo de tecnologia ou do raio, se não há sítio onde aplicar o que se possa lá fazer?
Ah! o importante é ter banda larga em cada esplanada do café! É ter computadores numa sala qualquer sem ninguém lá dentro e ter um gajinho na recepção sem fazer um corno e dizer que "... estamos a aplicar as novas tecnologias!" e um bando de malta a jogar jogos online. E depois claro, venha de lá mais um fundo para sacar uns euritos para que daqui a 2 meses tudo seja apenas vapor!

Bah!

Ass: Fiquem Bem!

Anónimo disse...

Um parque tecnológico e de ciência tem muito interesse mas, infelizmente, não é para nós. É para outros que há 2 ou 3 décadas no país construiram parques industriais nos seus concelhos ou há mais décadas o fizeram noutros países ( exemplo mais próximo de nós, sob todos os aspectos, é a Espanha onde se começaram a construir parques industriais ainda no tempo do Franco, quando em Portugal o Salazar achava que beber vinho era dar de comer a 1 milhão de portugueses......).

Querermos para o nosso concelho um parque de ciência e tecnologia quando o que ainda temos não é um parque industrial mas tão só uma amálgama de indústrias de cortiça(3) e de uma central de betão pronto e de uma oficina de alumínios e um comércio sem qualquer planeamento nem qualquer infra-estrutura própria de um parque industrial, sem acessibilidades dignas desse nome, etc. era como querermos passar da carroça de mula como meio de transporte para para o automóvel movido a hidrogénio (sem passar pela bicicleta, motorizada, automóvel a gasóleo ou gasolina.....).
Mais, o que já existe na "zona industrial" vai condicionar em muito o projecto e construção do futuro parque industrial porque, tanto quanto me é dado conhecer, as actividades já implantadas não obedecem a um planeamento do futuro parque industrial.

É fulcral equacionarmos o que queremos para o futuro do nosso concelho. Queremos viver do quê?? Da agricultura ainda???? Do comércio??? Da indústria do turismo??(já agora nunca entendi porque se insiste em considerar essa actividade como uma undústria já que, a meu ver, o que se prestam são serviços). Dos serviços? Da indústria?
Usando a metáfora de atrás, o país em geral passou da carroça para o automóvel a H2, i.e., da agricultura para o comércio e serviços. Em boa verdade, a industrialização nunca ocorreu em Portugal, muito menos no Algarve. Nesta região, o turismo, que surgiu na década de 60 do século passado e que se desenvolveu nas restantes décadas do mesmo século veio captar investimentos de capital e mão de obra que, pela ordem natural das coisas, iriam para a indústria que não a do turismo (sobretudo a transformadora). Acresce ainda a crise que ocorreu na indústria que tinha maior relevo na região que era a conserveira e que se concentrava nos principais aglomerados urbanos do litoral.
Há muito espaço para investir em indústria transformadora na região sobretudo no sector dos alimentos e bebidas, incluindo, naturalmente, aqueles que têm como matéria-prima produtos da nossa agricultura moribunda - frutos secos, primores, citrinos, hortículas, flores, etc.

Por tudo o que disse atrás considero como prioritário a realização do projecto de um parque industrial digno desse nome na sede do nosso concelhoe a subsequente construção do mesmo.
Queremos ser um dormitório de pessoas que trabalham nos serviços em Faro (que atrai serviços de índole que S. Brás jamais atrairá dado tratar-se da sede do distrito e da região)? Ou queremos ter um desenvolvimento equilibrado, sustentado e sustentável??

Por tudo o que disse atrás discordo totalmente do orçamento "participativo" apresentado pela edilidade para 2007. Metade do orçamento total para construir uma piscina coberta???? É mais importante saber nadar do que o assegurar o desenvolvimento sustentável do concelho????

Definitivamente, 2007 não é um ano de eleições nem 2008 o deverá ser.... Há que investir na rapaziada que vai crescer a aprender a nadar e que atingirá a maioridade no momento da verdade....... pode ser que quando essa rapaziada fizer o secundário ou, entretanto, saír do sistema antes de o terminar comece a ouvir falar do projecto de um parque industrial........ ;)

Já agora Senhor Padre, quanto às rotundas, eu que sou leigo no seu métier, sempre lhe digo que as rotundas têm objectivos técnicos e razão de justificação quando se pretende assegurar entradas em povoações importantes que tenham cruzamentos e onde se imponha que os condutores reduzam consideravelmente a velocidade (é muitíssimo mais eficaz do que a sinalização. Nas rotundas que existem em S.Brás não há uma que ache que seja supérflua e acho-as, em geral, bem concebidas e executadas.

P.S.: Quando vir o parque industrial feito poderemos falar do futuro parque tecnológico para S. Brás mas este já será para os meus filhos ou netos se as coisas correrem bem........

O Independente

À Gerência,
Desculpem ter-me alongado mas, ainda assim, não disse tudo o que penso, nem de longe sobre esta temática. Aqui fica uma sugestão e um repto: espoletem o debate franco e vivo entre todos os concidadãos deste concelho sobre o plano estratégico de desenvolvimento do mesmo. Ou sobre outros assuntos que considerem relevantes. Modestamente, estou disposto a contribuir para esse debate. Bem hajam!

O Independente

Anónimo disse...

Ao Independente:

Perfeitamente esclarecedor!

Obrigado pelo teu contributo.

Ass: Fiquem Bem!