21 abril 2007

Jorge Varanda em Entrevista


Jorge Varanda, director geral do Centro de Medicina e Reabilitação do Sul



“Já poderíamos ter este tipo de centros há 30 anos”

Situado em São Brás de Alportel, o Centro de Medicina e Reabilitação do Sul recebeu esta semana o primeiro paciente. O director-geral, Jorge Varanda, garante que será impressa uma nova dinâmica à gestão das camas, através de um treino intensivo dos doentes

Na sua opinião, a reabilitação foi esquecida pelos sucessivos governos em Portugal?

Jorge Varanda (JV) – Sim. Há medida que se avança na construção destes centros, aprendemos como poderemos fazer as coisas. Faltou a sua estruturação. Depois de Alcoitão, só se realizou o Centro da Tocha. Desde os anos 60 que existiam instrumentos de planeamento. Alguns hospitais foram criando os seus serviços e colmatando as falhas. Ninguém viu os custos sociais e económicos de ter pessoas que poderiam ter atingido um nível de recuperação funcional mais elevado e que não o atingiram. Se se tivesse seguido um modelo de documento que já vi há alguns anos, já poderíamos ter este tipo de centros há uns 30 anos.

Iniciaram a vossa actividade a 6 de Abril. Como está a correr esta fase inicial?

JV – Este é um centro especial, uma vez que os pacientes não são enviados a um ritmo de um hospital de agudos, mas a um ritmo de um centro especializado em reabilitação. Felizmente, não temos muitos doentes e os casos indicados para aqui são os mais graves. No início desta semana entrou o primeiro doente, que foi encaminhado pelo Centro Hospitalar do Baixo Alentejo.

Este foi um processo iniciado em 1999. Foi difícil chegar até este ponto?

JV – Houve muito esforço e muitas pessoas a trabalhar até chegar a este ponto, quer do lado do Ministério, quer do lado do Grupo Português de Saúde. Este era um «sonho» do Algarve e conseguiu-se levar a bom porto este projecto inovador. No mês do Julho estaremos a meio do preenchimento das camas, sendo que abriremos a segunda parte do internamento. Nessa altura, já estaremos numa velocidade cruzeiro.

Qual a importância deste centro na zona Sul do País?

JV – Até há pouco tempo existia apenas um centro desta natureza no País, em Alcoitão, como centro especializado para este tipo de tratamento. Seguiu-se o Centro da Tocha, para a região Centro, agora o de S. Brás de Alportel para o Baixo Alentejo e Algarve, e prevê-se no futuro um centro para a Região Norte, que é a única zona que falta cobrir. Esta evolução constitui a efectivação, ao nível dos centros especializados, da Rede de Medicina de Reabilitação. São Brás foi o local escolhido tendo em conta a existência das instalações do antigo Sanatório Vasconcelos Porto, o qual deixou uma marca histórica indelével na região, pela proximidade de Faro e futuro acesso à A22. De acordo com a Direcção-geral de Saúde, a existência de camas de internamento especializadas em cuidados intensos de reabilitação é imprescindível. O Centro de Reabilitação de S. Brás (CMRS) é uma unidade hospitalar especializada, de 54 camas de internamento, hospital de dia e ambulatório, gerida em regime de parceria público-privada pelo Grupo Português de Saúde – o segundo maior grupo privado do País – através de um contrato com o Estado português.

Quais os objectivos do CMRS?

JV – A missão do centro é prestar, na sua área de influência, cuidados diferenciados de reabilitação a pessoas portadoras de grande limitação funcional em regime de internamento com carácter intensivo, cumprindo padrões de excelência com vista à maximização do potencial de reabilitação de cada doente e ao pleno exercício da cidadania. O centro tem funções apropriadas de ensino e de investigação. A curto prazo pretendemos dar resposta completa à procura pública do Serviço Nacional de Saúde e aos 15 por cento que nos é atribuído para a rede privada. Um segundo objectivo é a inovação e melhoria contínua dos processos de trabalho e da tecnologia.

Que tipos de tratamentos vão efectuar?

JV – O novo CMRS destina- se prioritariamente ao tratamento de doentes em regime de internamento em três grandes áreas prioritárias: lesões medulares, traumatismos crânio-encefálicos e acidentes vasculares cerebrais. Há outro tipo de situações, nomeadamente na área neurológica, que só serão tratadas se houver lugar para isso. A organização e gestão do centro vai focar toda a sua actividade nas pessoas que vai servir e nas suas necessidades específicas, proporcionando as melhores condições para desenvolver o seu potencial de reabilitação, com vista à obtenção do maior grau de autonomia, independência e funcionalidade. Cada pessoa tratada será acompanhada desde a sua admissão à transição para o domicílio, vida familiar e profissional, fazendo o seguimento posterior necessário à situação clínica de cada um.

Esse tratamento será efectuado de uma forma intensiva, tal como acontece na Tocha?

JV – O regime de tratamento será intensivo, baseado em equipas interdisciplinares, com disponibilidade terapêutica das 9 às 20 horas em ginásio e com serviços médicos e de enfermagem em permanência. A organização terapêutica inclui a fisioterapia, a hidroterapia, a terapia ocupacional, a terapia da fala e apoios especializados de neurofisiologia, urodinâmica, provas respiratória, imagiologia, psicologia e serviço social. Além dos médicos fisiatras, a equipa inclui um médico internista permanente e médicos especialistas consultores de urologia, psiquiatria, neurologia, ortopedia e outras especialidades que forem necessárias. O planeamento do centro não inclui nesta fase um sector pediátrico.

“É preciso muito treino para atingir resultados”

Na sua opinião, a capacidade instalada é suficiente para dar resposta a todos os casos existentes na região?

JV – Não posso dar-lhe uma resposta peremptória sobre isso, porque de acordo com um número de camas previsto para este centro há uma pequena diferença. Em termos de necessidade foram calculadas 80 camas, mas o centro vai dispor de 54 camas de internamento. Há alguns elementos novos que se prendem com a capacidade da nossa acção, uma vez que devemos ter em atenção a dinâmica que vamos colocar na gestão das camas e, também, porque através do contrato estamos obrigados a fazer um estudo da procura deste tipo de casos.

Que dinâmica pretende imprimir na gestão de camas?

JV – Esse é um aspecto que respeita à área clínica, mas o modelo consiste num treino intensivo dos doentes, para poder atingir o máximo de capacidade de reabilitação. Uma imagem que pode ser utilizada para perceber o que se vai fazer é o treino dos atletas de alta competição. É com muito treino que se chega aos resultados. Podemos chegar mais longe e mais cedo do que desejaríamos, podendo a capacidade das camas ser assim aumentada. Em média, um doente é pressuposto passar 90 dias em internamento.

Como se vai processar a articulação entre o público e o privado?

JV – Este é um centro público, embora seja gerido por uma entidade privada. O CMRS tem protocolos estabelecidos com o Hospital Distrital de Faro, Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio e Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, onde estão estabelecidas regras de referenciação de doentes para este centro. Essas regras estabelecem a forma como os doentes são encaminhados para este centro e as condições que têm de preencher.

Nesta fase inicial, quantos técnicos estão a trabalhar no CMRS?

JV – Neste momento, já temos os sectores da área administrativa a funcionar em pleno. Temos um quadro de 60 pessoas na fase inicial, mas mais tarde teremos 116 pessoas a trabalhar.


in: Algarve

14 comentários:

Anónimo disse...

Então senhores do blog que ética é esta? Entrevista a que jornal, rádio ou TV? E feita por quem? É o mínimo, não?

a_gerencia disse...

caro anónimo,

a referencia está no post.
(sempre lá esteve!)
é só clicar na foto.

Satisfeito, amigo???? ficou mais credivel a noticia??? Disponha sempre!
Cumprimentos,
a_gerencia

Anónimo disse...

À Gerência do Blog

Não nos façam parvos e vamos a ser sérios. Carregando no foto nada acontece. No final da entrevista é que posteriormente à nossa chamada de atenção foi colocado "In Algarve". O que não é suficiente porque o nome do autor da entrevista é obrigatório saber-se, não?

Anónimo disse...

tás muito interessado na noticia!
Porque será? lês-te alguma coisa que te interessa? alguma coisa que não gostaste? Conta aí, meu!

a_gerencia disse...

Porque será tanto alarido! Qual é o seu interesse nisto, pode-nos explicar?

Provavelmente não.

Mas nós podemos tentar ajuda-lo, pelos vistos está lhe dificil entender de onde veio a entrevista.

O link da foto direciona para a pagina:

www.OALGARVE.pt

Como isto pensavamos que se tornava obvio que a noticia era proveniente do "Jornal O Algarve".

Quanto ao nome do autor da entrevista, desconhecemos se é obrigatório saber-se ou não!

A entrevista chegou-nos em e-mail, um link para o jornal regional onde lemos a noticia. Esta não fazia referencia ao autor apenas ao entrevistado (JV)Jorge Varanda.

Convencidos que não vamos lêr nada mais de si,reiteramos a nossa disponibilidade.

Cumprimentos,
A_gerencia

Anónimo disse...

Meus Senhores,

Devem pôr sempre a origem da notícia. E não em baixo após vos chamarem a atenção para a ausência da mesma; NO TOPO!!! a abrir a notícia.

É uma questão de ética e deontologia profissional se forem jornalistas.......

a gerência disse...

...ninguém aqui é jornalista.
mas alguns tem jeito...

Quando há um ano atrás começaram a aparecer os leitores regulares colocamos um banner "Jornalismo do Cidadão" para que não houvesse enganos, pois esta é uma pagina pessoal feita para um grupo de amigos que há 14 meses atrás se tornou conhecida de todos os sambrasenses por "falar mal" da Câmara Municipal.

Não não somos jornalistas
Nós somos parte do povo!...

Anónimo disse...

À Gerência,

Não são jornalistas, são povo.....

então são cidadãos que exercem, e muito bem, os seus devres/direitos de cidadania, certo?

e nesse exercício devem pautar-se pela Moral e Ética, certo?

e as mesmas indicam que não devemos usa como nosso aquilo que não o é, certo?

Se replicam notícias, como amiúde o fazem, não acham que devem, de forma clara e ineqívoca e com grande destaque, indicar a origem das mesmas????

Ponham a origem da notícia à cabeça da mesma e não no fim como costumam fazer.... às vezes nem põem nada........

Cumprimnetos e continuem com o vosso trabalho!!!!

A gerencia disse...

... o exercicio da cidadania deve pautar-se pela moral e etica!...

dever, devia... mas não é esse o exemplo que nos dão os nossos politicos, pois não?!...

Mas o que aqui está em causa é indicar a origem das mesmas! não é?... neste campo acredite que temos dificuldade em saber de onde proveem as noticias.

A titulo de exemplo:

Um comunicado de imprensa, escrito pelo GIDI para o presidente da câmara, é enviado às redações dos jornais, cada jornalista corta o que lhe interessa e publica no seu jornal.

No dia seguinte, desconhecendo a sua proveniencia nós lê-mos a noticia, em varios jornais, transcreve-mos o que nos interessa e... dá-mos credito a quem?... a um dos jornais? a varios jornais? a um dos jornalistas que transcreveu o comunicado de imprensa? ao presidente da câmara ou à marlene???????

Como vê não é facil.

E isto acontence a todos os niveis, por exemplo a agencia lusa é a responsavel pelo maior numero de noticias, que depois são aproveitadas por jornais regionais que por sua vez aproveitam a noticia de outros jornais!

Por isso, aconselhamos a não se chatear com o facto de não conseguir encontrar a proveniencia das noticias, pois isso vai continuar a acontecer.

Se quiser acreditar nas noticias, acredita, se não quiser acreditar, aconselhamos a deixar de comprar a nossa publicação e a ler o noticias de s.braz (que é de borla, não diz mentiras nem é tendencioso)

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Isto de não aceitar as críticas dos outros, mesmo quando elas são justas deve ser contagiante........

Não faças aquilo que criticas os outros por o fazerem......vou continuar a assinar o vosso jornal porque, embora sendo bem mais caro do que o Notícias de S. Brás, traz menos verdades do que o outro porque não estão dependentes do poder actual........certo???

Cumprimentos cordiais

A gêrencia disse...

explicações feitas,
criticas aceites,
certezas confirmadas ;)
é um prazer te-lo por cá.
disponha sempre.

Cusco disse...

Isto esteve animado

Apreciação: 50/50

Anónimo disse...

... Ya também acho!...
Mas continuo sem saber quem foi o entrevistador, quem é o anónimo ou quem é a gêrencia... fónixxx


Sem espinhas

Anónimo disse...

... háaaaa!!!
o cusco já sei quem é!...
é o cão que ultimamente anda a cheirar o cú à presidencia... he. he. he.


Sem Espinhas
(tou-te a ver)