08 abril 2007

Procissão de Aleluia

A Páscoa celebrada com tradição


O Domingo de Páscoa é por excelência o dia de celebração em São Brás de Alportel. Nesse dia tem lugar tanto a Sul como a Norte a festa da Ressurreição. Mas se a Norte dita o compasso, no Sul anda-se a passo de procissão.

A Procissão de Aleluia, ou das Tochas como recentemente alguns insistem em apelidar, é a mais antiga em São Brás de Alportel, vigararia de Loulé, no Algarve, que foi a maior freguesia rural do país no princípio do século XX, facto que ditou mais tarde a sua religiosidade e a manutenção da tradicional procissão. Contava então com cerca de 13 mil habitantes. Foi também o grande centro católico do Algarve.

No séc. XIX, “praticamente todas as aldeias organizavam esta procissão da Ressurreição”, onde as pessoas levavam nas mãos uma vela que na linguagem antiga “era designada por tocha”, conta o pároco José da Cunha Duarte.

Também conhecida como a Procissão das três Marias (em alusão às mulheres que se deslocaram ao túmulo de Jesus na manhã da Ressurreição), as confrarias, responsáveis pela organização, eram então obrigadas a levar uma tocha acesa ou luminária e as opas vestidas. Posteriormente, a falta de cera levou ao aparecimento de paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava uma pequena vela. Mais tarde, com o desaparecimento das confrarias, permanecem na procissão os paus enfeitados, as lanternas e as velas acesas ao lado do pálio e as opas, que ainda hoje são trajadas pelos homens que transportam o pálio.

Ao longo da procissão, cantavam-se hinos, responsos e o Aleluia, em honra da Ressurreição do Senhor. Antigamente havia também um ou dois coros a cantar e o povo respondia, mas com o passar do tempo, a falta de clero e de cantores, levou a que o canto ficasse na boca do povo.

Com a implantação da República esta situação que era comum em todas as paróquias alterou-se, pois as manifestações públicas foram proibidas. A tradição das procissões esmoreceu. A título de exemplo, o padre José da Cunha Duarte, relembra que em Lagos a primeira procissão apenas voltou em 1941.

Com a República “praticamente todas a confrarias foram extintas”, os homens já não queriam participar nestas manifestações, tornando-se “tudo mais laico”.

Com a ida do Padre José da Cunha Duarte para a paróquia, em 1981, esta tradição nunca mais cessou. “O Bispo de então pediu-me para restaurar a tradição” e todos os anos se organiza a Procissão da Aleluia “em todo o seu esplendor”, garante o pároco.

A festa religiosa, que leva mais de seis mil devotos a São Brás de Alportel, tem início pela manhã de Domingo, com a celebração da Eucaristia na Igreja Matriz, local de onde parte a Procissão do Aleluia, uma hora depois.

De acordo com a tradição, as tochas são levadas apenas por homens, vestidos a rigor, cabendo-lhes a tarefa de abrir o caminho entre o mar de gente, as varandas engalanadas e as colchas estendidas nas janelas.

Antigamente o aparato nas ruas era maior. As casas mais humildes apareciam enfeitadas com grinaldas de flores, enquanto que as famílias com mais posses mandavam erguer grandes arcos de verdura, flores e fitas coloridas. A procissão saía após as laudes, com os sinos a repicarem e o coro cantava “O Senhor ressuscitou no sepulcro. Aleluia, aleluia, aleluia!” Quando a procissão retornava à igreja, para nova celebração da missa, os homens retiram as flores das tochas e espalham pelo chão onde o andor vai passar, “acto que já não se realiza”.

Ao longo da procissão formam-se grupos de amigos que pelo caminho vão cantando “Aleluia, aleluia!”, num percurso que se estende, “porque embora seja pequeno as pessoas vão parando à medida que se canta, por isso tem de haver sempre quem vá na frente a puxar o cortejo”, conta o pároco. Com a tradição restaurada tem-se ganho também “em respeito”. Todos colaboram e os homens vão todos à frente, as mulheres seguem a trás, todos a cantar na procissão”, conta o Pe. José da Cunha Duarte. Com o objectivo de valorizar este acto público, juntaram durante o percurso crianças, que vão encenando quadros bíblicos.

O tapete de flores que se estende “por quase dois quilómetros” dá um cariz particular a esta tradição. Para construir esta obra de arte, são precisas 3 toneladas de flores, num trabalho que resulta de um centena de voluntários. Com uma semana de antecedência se começam a preparar as flores. Pede-se às estufas que colaborem, “misturamos as cores com a verdura”, conta o pároco e lançam-se ao trabalho na Sexta e no Sábado. “Às cinco da manhã distribuem-se as flores e as verduras para se montar pelas ruas o tapete de flores para de manhã estar tudo preparado”. Tem havido, nos últimos anos, uma preocupação de ressurgir a tradição, que manda atapetar as ruas com alecrim, rosmaninho, alfazema e flores silvestres.

Festa das Tochas Floridas

A festa prolonga-se pela tarde e noite dentro, seguindo-se um cariz mais profano das celebrações, com a atribuição de prémios aos vencedores das tochas floridas. “Com isto pretendemos valorizar as tochas, o empenho das pessoas e premiar a criatividade para que nos próximos anos estas iniciativas continuem”, explica o pároco.

Para que a festa não se limite à parte religiosa e porque em São Brás de Alportel se vive a festa da Páscoa como a festa do concelho e da família, “todos os são-brasenses, mesmos os que vivem fora, regressam por estes dias à terra para festejar esta data em família”. Assim de tarde, depois do almoço, todos se juntam para ouvir artistas, ranchos folclóricos, “numa grande festa cultural”.

A par da música, os doces regionais como o folar e as amêndoas tenras são habituais. O grande dia de toda a celebração da Semana Santa é de facto “o dia de Domingo, quando todas as famílias se reúnem e se concentram”, finaliza o pároco.

15 comentários:

Cusco disse...

Olá! Aproveito para deixar os votos de uma Santa e Feliz Páscoa!
O texto que acabei de escrever tem por objectivo homenagear todos os meus familiares: Os vivos, os mortos e os que estão por nascer ainda. O mundo é muito, muito pequeno.. … quem sabe se esse cheiro a flores não te persegue e protege a ti também….Para Sempre!!!
Até breve
SE DEUS QUISER

Anónimo disse...

Procissão da Aléluia, sempre!

Anónimo disse...

A Câmara e A Associação Cultural podem chamar o que quiserem à procissão, mas ela será sempre a

PROCISSÃO DA ALELUIA.

Nenhum mouro, tirará está tradição aos Sambrasenses!!!!

Abaixo as Tochas...
Abaixo as Promoções Rascas...
Abaixo o Chico-Espertismo Associativo...
Abaixo a Câmara que mudou o nome a uma procissão secular...
Abaixo a AJS que transformou a procissão num concurso de carnaval...


VIVA A PASCOA
VIVA A RESSUREIÇÃO
VIVA A PROCISSÃO DE ALELUIA
VIVA S. BRÀS
VIVA A TRADIÇÃO

João da Serra disse...

Boa noite,

Queremos agradecer o link com que nos brindaram. É para nós uma honra estar <<<< ali naquela barra.

Se à primeira vista estamos em campos politícos diferentes, penso que na verdade estamos todos do mesmo lado: O melhor para os nossos concelhos.

Casquem no Eusébio que nós cascamos na Zabel. Mais uma vez obrigado e os nossos parabéns pelo excelente blog.

Anónimo disse...

tenho pena de ver tanta ignorância neste blogge.... as pessoas quando não valorizam as coisas depois vem para aqui dizer asneiras... se o tempo que vocês perdem a vir para aqui dizer parvoíces fossem apanhar flores faziam muito melhor... se a festa mudou de nome primeiro foi porque havia essa necessidade… e desta forma e possível promover muito mais a festa fora do nosso concelho… mas nem isso entendem… depois já que gostam tanto desta festa então valorizem-na e respeitem que tanto trabalha nela e se esforça para que ainda hoje esta seja uma tradição secular do concelho…
Boa Páscoa
e não se engasguem a comer amêndoas… (acredito que comem muitas, por terem necessidade de adocicar essas bocas)

Anónimo disse...

anónimo disse:

as pessoas quando não valorizam as coisas depois vem para aqui dizer asneiras...

a festa mudou de nome primeiro foi porque havia essa necessidade…
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Realmente!!!!
Há gajos que não fazem sentido nenhum!!!!....

Valorizam a tradição, mas... não se esforçam para a manter!!!!

Houve a necessidade de mudar o nome??? PORQUE??????
Não funcionava a FESTA se fosse chamada de FESTA DA ALELUIA, mantendo assim uma tradição que é secular????? PORQUE?....

Há gente muito parva!!! que ainda por cima dá-se ao luxo de escrever uma mão cheia de parvoíces para chamar parvos aos outros!!!!

Bem haja tanta ignorancia, Amigo!!!
Vá mas é apanhar flores e da proxima vez que nos quiser brindar com os seus desvaneios, meta a mãozinha direita numa gaveta e com a esquerda feche-a com força!!! Vai ver como isso passa!!!!

Mudou-se o nome da procissão porque havia essa necessidade... Deixa-me Rir em voz alta!!! ignorantes!!!

VIVA A TRADIÇÃO
VIVA S. BRÀS
VIVA A PROCISSÃO DA ALELUIA

Boa Pascoa a Todos

Anónimo disse...

É verdade pessoal, muito se fala mas a verdade ninguem a conta.

Aos senhores que levam a semana antecedente a preparar a nossa linda procissão e que no Domingo começam a preparar o manto às 5am, muito agradecido, pois sem vocês a procissão não tinha a mesma magia.

Mas a estes dignissimos Srs. gostaria também de os ver agradecer a quem desempenha o papel principal na procissão,.. sim, PROCISSÃO!!!

Quem a faz são os homens de S. Brás de Alportel que também se levantam cedo para se meterem nos fatos a cheirar a naftalina e fazerem as tochas, e que durante a semana que antecede andam a apanhar ou ilicitamente a retirar flores dos quintais alheios. Isto faz parte da tradição.

A tradição chama à nossa festa de "Procissão da Aleluia", e se bem me lembro (e não tirando o merito ao Sr. Pior), antes de ele cá estar a procissão existia e era bem forte. Já tenho os largos aninhos que me dão para recordar o que era e os periodos amargos que a nossa festa passou na decada de 80 com as carroças e estandartes que mais pareciam a batalha das flores de Loulé.

À organização peço que metam as mãos na consciencia, pois as pessoas vêm ver as familias e a procissão é um pretexto festivo para o fazer, é quase como um ponto de encontro temporal anual. A procissão são os homens que lá vão no meio a cantar, gritar e beber,.. sim, BEBER para lubrificar as goelas. Isto é tradição, e que não desrespeitem os homens de S. Brás de Alportel e chamem as coisas pelos nomes.

Viva a "Procissão da Aleluia" e já agora Sr. licenciados da nossa santa terrinha, revelem a história pagã dos piratas que muito nos faria bem ao Êgo. Vão ao livro de S. Brás do Dr. Estanco Louro e cultivem-se...

Anónimo disse...

Só não percebo porque mudaram o nome da procissão...... mais uma da Marlene????

Anónimo disse...

Meus amigos a AJS não organiza nada nesta procissão só uma vez o fez e já foi á 14 anos se não estou enganado é a ACS que organiza.
Concordo que este ultimo comentário, principalmente quando refere que antes do prior Cunha, cá chegar a procissão existia e era bem forte, se bem se lembram a procissão começou a decair com a "invenção" do Sr. Prior em colocar as pessoa organizadas pelos sítios com um Arco como nome do sitio e atrás as pessoas dessa zona, foi também nessa altura que começaram a aparecer as "tochas de esforivite" com as mais diversas formas e figuras, felizmente que durou pouco tempo e as tochas ditas tradicionais são cada vez mais, assim como quem participa na procissão.

Anónimo disse...

Ora vivam e parabéns pela bonita festa de ontem!

Queria apenas expressar que fiquei desapontado com alguns textos/opiniões menos felizes que por aqui vi. Se são Sambrasenses com "tradição" então deviam ter colaborado e apoiado quem se dedicou tanto e tanto trabalhou para que a festa se realizasse. E, mesmo que não concordem ou tenham opiniões diferentes, então porque não emitir comentários construtivos? Limitam-se ao mais fácil, mas as críticas destrutivas até podem revelar muito dos sentimentos de quem as expressa...

E será o nome assim tão importante? Procissão da Aleluia, concursos, tarde cultural... isso tudo é que me parece ser a Festa das Tochas Floridas!

E por fim, falou-se aqui em AJS... mas parece-me que é a Associação Cultural Sambrasense (ACS) que organiza os festejos.

A todos eles, ACS, Câmara Municipal e Sambrasenses de tradição... BEM HAJAM e até para o ano!

Anónimo disse...

Há gajos que não fazem sentido nenhum!!!!....

Valorizam a tradição, mas... não se esforçam para a manter!!!!

Houve a necessidade de mudar o nome??? PORQUE??????

Não funcionava a FESTA se fosse chamada de FESTA DA ALELUIA, mantendo assim uma tradição que é secular????? PORQUE?....

Alguém me sabe responder????
só quero saber isso??? Porque?


Vejo aqui muita gente a defender as "TOCHAS" mas ninguém ainda explicou porque se mudou o nome à Festa!!!
Será que alguem saberá o porque?

Não me parece!!!

Anónimo disse...

mudou-se o nome em 2001 ou 2002 (não sei precisar)...

O recem eleito Tó Paulo e a sua comitiva, juntou-se com o Prior e o Julio da ACS e decidiram valorizar a procissão envolvendo-a numa Festa.

À festa chamou-se das tochas floridas, o resto veio por arraste...



Muda-se o nome de uma festa secular em nome de uma tradição!!!!


meia duzia de anos depois, já toda a gente acha muito bem esta alteração. enfim...

... no entanto, os mentores de tal incongruência estão perfeitamente identificados, a saber:

António Eusébio (Câmara Municipal)
Julio Pereira (ACS)
José Duarte (Prior cá da terra)

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Polémicas (de NOME) à parte, ficam aqui os meus parabéns a todos os que contribuíram para mais um dia de Páscoa inesquecível em S. Brás.
(eu incluido :o)

Aleluia.

Anónimo disse...

Desculpem me mas eu tenho que dizer aos palermas que pensam que quem não está de acordo com a mudança do nome da procissão e da festa não colabora!

Colabora sim, palermoides...
Eu também me levantei às 4.30 da manhã para por flores na rua, mas isso não me impede de achar palerma a mudança do nome da festa que conheço à mais de 40 anos pelo nome de Aleluia.

Mais... fico triste por ver tanto palerma a dizer que se mudou o nome por necessidade, mas ninguém explicou qual?... Deve ter sido a necessidade de Cair na Graça do Zébito, só Pode!!!!

O_Coronel

Anónimo disse...

ouvi dizer que esta em fase de aprecicao mudar o nome de sao bras pois o prior,presidente e mais meia duzia nao gostam do nome.aqui fica a minha sugestao ponham o nome de cidade com lei para quase todos menos para meia duzia de gulosos

Anónimo disse...

Caros Municépes,

Sabe bem viver em S. Brás de Alportel, mas a necessidade de levar o nome da nossa vila aos confins do planeta, achamos mais melhor bom, extremamente comercial e altamente rentavel mudar o nome da vila para:

Aldeia da Macaca

Mantemos assim a tradição e cumpre-se uma necessidade extrema.

Viva a Aldeia
Viva a Macaca
Viva as Tradições
E os Olhos do Camões...

..e Viva o Tó Paulo
Rei com um só olho
Numa terra de cegos.

Associação dos Amigos da tradição para elevação de S. Brás de Alportel a Aldeia dos Macacos!!!